30 de Junho de 2010
Caros concurseiros sofredores,
antes de começar a dissertar sobre este assunto, gostaria de comentar algumas coisas com vocês.
Sei que estou ausente de minhas colunas, e-mails etc. faz um bom tempo. Não sei se serve como desculpa, mas de uma vez por todas resolvi escrever meu livro sobre dicas de estudos. E confesso que não tinha ideia do imenso trabalho que isso daria. Achei que já tinha quase tudo na minha cabeça, mas não. Resolvi pesquisar cada vez mais, ler mais livros, revistas, artigos etc., e a coisa foi se complicando. Só o que posso assegurar é que o livro vai sair muito mais completo do que eu imaginava, pois aprendi muito nos últimos meses. Vai ter um monte de coisas interessantes para quem quer obter mais dicas sobre como estudar para concursos.
Devido a este meu retiro para escrever meu livro, acompanhei pouco o andamento dos concursos da RFB. Porém, não poderia deixar de dar os parabéns aos aprovados, verdadeiros guerreiros. Recebi diversos e-mails de agradecimento deles, que me deixaram muito feliz, certo de que algum bem já fiz a alguns de vocês com minhas dicas. Mas para poder passar muito mais informações para mais pessoas de uma vez, entrei de cabeça no livro, para transmitir muito do que sei e do que aprendi nestes anos em uma fonte só.
Hoje assisti a um filme fantástico, que mostra como o estudo pode mudar a vida de uma pessoa, e porque não dizer, o mundo. Chama-se "Mãos Talentosas, com o Cuba Gooding Jr. Trata da história real de um dos maiores neurocirurgiões do mundo, o Dr. Ben Carson. Negro, pobre, sem pai, tido como burro na escola, resolveu mudar sua vida estudando, e há décadas faz milagres com suas mãos talentosas. Vejam este filme, é muito bom para animá-los a buscarem seus sonhos mesmo com todas as adversidades que cada um tem. Não deixem de ver os extras. E, caro(a) concurseiro(a), se você não chorar assistindo-o, aconselho que busque um psicólogo, pois algum problema você tem. Estou com dor de cabeça até agora...
Faz alguns meses, em uma coluna passada, comentei que um dia iria escrever sobre genialidade, testes de QI, inteligência etc. E como já escrevi esta parte do meu livro, resolvi publicá-la aqui fazendo algumas adaptações, pois recebi inúmeros e-mails me cobrando para escrever sobre isso.
Vou explicar um pouco do que aprendi sobre pessoas com um quociente de inteligência (QI) diferenciado.
Este é um assunto que me desperta interesse há anos, então procurei diversos livros, artigos, filmes e sites que tratam deste tema. Não tem quase nada a ver com concursos, mas acho que serve como cultura geral e que muita gente vai gostar de saber. Desculpe-me, mas vou me dar o direito de escrever sobre isso nesta coluna sobre concursos, porque muitos concurseiros já me pediram depois que mencionei o assunto em uma coluna passada, que já nem me lembro mais em qual foi.
Inicialmente, vamos diferenciar superdotado de gênio. Superdotado geralmente é definido como alguém que está dentre os 2% mais inteligentes do planeta, ou seja, uma pessoa a cada grupo de 50. É comum chamarmos superdotados de gênios, mas um gênio é muito mais que um superdotado, ele está dentre o 0,1% mais inteligente, isto é, 1 a cada grupo de mil pessoas.
Os superdotados e os gênios são muito mais autodidatas, ou seja, eles não precisam de muitos professores e aulas, eles se viram sozinhos, seja no estudo, no aprendizado de línguas ou de música etc.
Até alguns anos a única forma de inteligência que todos levavam em consideração era o famoso QI, que media simplesmente a habilidade lógico-matemática. E ouvíamos sempre aquelas frases de que Einstein foi um gênio, por exemplo. Que ele foi um gênio, não dá dúvidas, talvez tenha sido o maior gênio do século XX. Mas e Garrincha, Pelé ou Michael Jordan, são gênios também? E Mozart? E Picasso? Não seriam gênios, uma vez que provavelmente não se sairiam muito bem em um teste de QI? Logicamente que também foram gênios, cada um em sua área específica.
Devido a esta aparente contradição, foram surgindo estudos provando que existem diversas formas de inteligência, e o mais famoso foi o feito por Howard Gardner, professor da Universidade de Harvard e autor do livro "Formas de Inteligência". Ele explicou que existem no mínimo sete espécies de inteligência, que são elas: lógico-matemática, linguística ou verbal, espacial, musical, corporal-sinestésica, interpessoal, intrapessoal.
Resumindo bem resumidamente, a lógico-matemática é a que é medida pelo teste de QI tradicional. A linguística é muito identificada nos grandes escritores, poetas e oradores. A espacial é a encontrada nos engenheiros, arquitetos, pilotos e artistas. A musical é autoexplicável. A corporal-sinestésica é a dos esportistas e dançarinos, por exemplo. A interpessoal é a capacidade de saber lidar com as pessoas, como os vendedores, professores, políticos e atores. A intrapessoal é a capacidade de se autocompreender, encontrada nos filósofos e psicólogos.
Hoje se fala muito em Quociente Emocional (QE), que é a união das inteligências intrapessoal e interpessoal. Atualmente, para conseguir emprego em diversas empresas, esta forma de inteligência está sendo muito mais avaliada do que a antiga medida pelo teste de QI. As famosas dinâmicas de grupo são testes para averiguar o QE, dentre outros fatores.
Posteriormente, surgiram novos pesquisadores sugerindo mais formas diferentes de inteligência, como natural, existencial, espiritual, social e emocional. Os próprios nomes já explicam o que é cada uma e, obviamente, não são importantes para este texto.
Então convenhamos, esta coluna é sobre concursos, não é sobre esportes, música ou dinâmicas de grupo, logo, qual destas formas de inteligência seria a principal para você se sair bem no mundo dos concursos? Se você tivesse que optar por uma delas para ser mais desenvolvida a partir de hoje, pelo menos até passar no seu concurso, qual você escolheria, se tivesse um gênio da lâmpada na sua frente oferecendo uma delas como seu único desejo (não valendo a vaga no concurso, claro)? Obviamente que a mais tradicional e famosa de todas, a lógico-matemática. Então vamos dissertar sobre ela a partir de agora e esqueceremos as demais.
Aproximadamente metade do seu QI foi herdado de seus pais e os outros 50% foram desenvolvidos de acordo com o ambiente em que cresceu, pois o cérebro é um órgão com grande capacidade de expansão e adaptação. Diz-se que o cérebro é dotado de neuroplasticidade, isto é, possui capacidade de formar novas conexões ao ser devidamente exercitado. Quando melhor trabalhado, desenvolve mais sinapses, as ligações entre os neurônios. E quem tem mais sinapses raciocina mais rápido e resolve problemas de modo mais eficaz. Aprender coisas novas todos os dias, que pode ser estudar, ler algo estimulante, aprender a tocar um instrumento musical ou um idioma, aumentará sua inteligência. Experimente passar anos e anos só assistindo a novelas, lendo revistas de fofoca ou de esportes e outras atividades que não necessitam de muito raciocínio que você vai ver como seu cérebro ficará enferrujado. Claro que são leituras e programas que todos devem usufruir, o problema é que a grande maioria das pessoas só faz isso, prejudicando demais seu raciocínio.
Sei que existem pessoas com muita dificuldade para aprender, pois muitas destas pessoas possuem realmente um QI abaixo do normal. Mas qual é o QI tido como normal? O QI médio nos anos 30 foi medido como 100. Abaixo disso, possui um QI abaixo da média da população mundial, e acima disso, o contrário. Não é uma nota que respeita uma simples regra de três, ou seja, se você tiver QI 120 então é 20% mais inteligente que alguém que está na média. Não é assim que é medido, mais à frente vou explicar isso um pouco melhor. O que precisamos saber por enquanto é que uma pequena alteração no índice significa uma diferença de QI maior do que a simples diferença percentual.
Hoje o QI de uma pessoa que se encontra na média da população não está mais na faixa de 100, está entre 110 e 115. Aconteceu esse aumento porque a humanidade teve um progresso notável no nível intelectual, devido a diversos fatores. É o chamado efeito Flynn.
Um estudo muito interessante para nós, principalmente para quem é da área fiscal, como eu, ou é loira, foi um realizado pela rede de TV britânica BBC em 2003, que fez diversos testes e encontrou as seguintes médias de QI, em ordem decrescente: Operadores de bolsa, 111; fiscais de impostos, 108; loiras, 101; malhadores, 95 e mecânicos, 92. Dele concluímos que para uma loira aumentar seu QI, basta passar para fiscal (risos). O que pode até ter um fundo de verdade, porque quando uma pessoa estuda por muito tempo assuntos mais complexos, tende a aumentar seu QI, lembra? Logo, estudar para concursos pode sim aumentar seu QI.
Especialistas demonstraram que a relação entre sucesso e QI só funciona até certo ponto. Isto é, as pessoas devem ter um QI mínimo necessário para que alcance o sucesso, e este pode ser na vida profissional ou nos estudos, porque quaisquer pontos adicionais a partir de um certo valor não conseguiram tornar vantagens mensuráveis a favor dos de maior QI. E em minha vida de concurseiro já notei que existem inúmeros aprovados com QI que eu poderia considerar abaixo da média. Logo, este valor mínimo de QI necessário para alcançar o sucesso nos concursos não é alto, pode até mesmo ser abaixo da média da população. Obviamente que pessoas de maior QI poderão ter alguma vantagem em relação aos outros, mas nada que seja determinante para o sucesso daqueles e o fracasso destes.
O que os cientistas estão afirmando é que o QI se assemelha, por exemplo, à altura dos jogadores no basquete. Um homem com 1,70m tem chances reais de ter sucesso jogando basquete profissional nos EUA? Muito dificilmente. Mas se ele possuir uma altura mínima recomendável, digamos que 1,85m, possuirá boas condições de fazer sucesso neste esporte. Concordo que um jogador de 2m de altura terá mais condições de obter sucesso do que este de 1,85m, mas não é determinante, pois há inúmeros jogadores fracassados com mais de 2m de altura e outros tantos de sucesso abaixo de 1,90m. Michael Jordan, o maior jogador de basquete de todos os tempos, mede 1,98m, altura abaixo de inúmeros outros jogadores. A conclusão que tiveram é que um jogador de basquete tem que ter uma altura suficiente, assim como acontece com a inteligência.
Lewis Terman, possivelmente o maior estudioso sobre testes de QI, concluiu seus estudos com estas palavras: "Vimos, com uma ponta de decepção, que intelecto e realização estão longe da correlação perfeita". Preciso dizer mais alguma coisa ou você ainda vai continuar acreditando que não ter nascido um gênio tornará impossível obter sucesso nos concursos?
Uma ótima fonte para aprender mais sobre a relação entre QI e sucesso é no livro "Fora de Série - Outliers", do Malcolm Gladwell, bestseller com milhões de cópias vendidas.
Como curiosidade, saiba que há duas pessoas consideradas como os maiores QIs já medidos em testes de QI tradicionais. Há controvérsias sobre qual é o maior, porque foram medidos utilizando testes diferentes. O 1º pertence a um americano, de nome Chris Langan. Seu QI foi avaliado em 195. Só para terem uma pequena ideia da sua inteligência, ele aprendeu a falar aos 6 meses de idade e aos três anos já sabia ler. Sabe como ele aprendeu a ler aos três anos? Ele ficava ouvindo um locutor de rádio ler histórias em quadrinhos enquanto acompanhava o som fazendo analogia com as palavras que via nos quadrinhos no papel. Ou seja, ele ouvia o locutor e via as coincidências entre o som que ouvia e as palavras que via no papel. Isso até os 3 anos. Simples, não?
Lembra de quando comentamos sobre as outras formas de inteligência e que elas explicavam por que alguém com altíssimo QI pode se dar mal na vida pessoal? Bem, o Langan é porteiro de uma boate nos EUA. Foi chamado por diversas universidades devido ao seu alto nível de conhecimento matemático, mas recusou todos os convites. Começou a fazer, mas achou tudo muito fácil, pois afirmava que sabia mais do que os professores, então a faculdade não tinha nada para oferecer a ele. Está há anos tentando explicar a existência de Deus, da alma e da existência de vida após a morte através da Matemática. Sério mesmo, não é brincadeira minha não. E enquanto não prova, leva a vida como porteiro de uma boate. Bem, melhor do que vir morar no Brasil, naturalizar-se e tentar roubar sua vaga no concurso, concorda? Deixe o gringo por lá mesmo.
O 2º maior QI já medido é o de uma americana chamada Marilyn vos Savant, nascida em 11/08/1946, que está no Guiness Book como a pessoa que possui o recorde de maior QI, com 228. Cabe aqui lembrar que a escala utilizada para medir seu teste foi diferente da usada com o Chris Langan.
Seu sobrenome "Savant" é mera coincidência com os "savants", que apresentaremos adiante. Ela é absolutamente normal e possui uma coluna muito famosa na revista "Parade", na qual responde às perguntas dos leitores sobre assuntos variados. Ela disse uma frase que se aplica perfeitamente à vida dos concurseiros: "Ser derrotado geralmente é só uma condição temporária. Desistir é o que a torna permanente".
Há vários artistas famosos de QI elevadíssimo, como Sharon Stone, que entrou na universidade aos 15 anos de idade; Madonna; Jô Soares; James Woods, que com seu QI de 180 estudou no MIT e acertou 1.579 das 1.600 questões de seu exame de admissão na universidade, uma das maiores notas até hoje; Brian May, guitarrista do Queen e doutor em astrofísica, dentre outros.
Os famosos que viveram antes da invenção dos testes de QI também tiveram seus QIs supostamente avaliados segundo pesquisadores, e dentre os quais destacamos como maiores QIs da história: Einstein, Gauss, Thomas Edison, Arquimedes e Galileu Galilei, com 240, e Isaac Newton, Aristóteles e Leonardo da Vinci com 250. São especulações, para que fique bem claro.
Existem inúmeras organizações mundiais que concentram estes privilegiados. A mais famosa de todas se chama "Mensa", que possui filiais em dezenas de países do mundo, inclusive no Brasil. O site dela no Brasil é <www.mensa.org.br> e a mundial é <www.mensa.org>. No mundo existem mais de 100 mil associados, sendo que no Brasil são uns 700. Pode parecer piada, mas o único país europeu que não possui uma filial da Mensa é Portugal.
E quem pode ser associado da Mensa? Quem fizer seu teste de admissão e conseguir uma nota que o enquadre entre os 2% mais inteligentes do planeta, ou seja, os superdotados, conforme já os classificamos anteriormente. E como eles conseguem avaliar isso? Sabe o teste de QI tradicional, aquele que era muito utilizado antigamente, principalmente nos EUA? Pois bem, o pessoal juntou todas as milhões de notas tiradas na história deste teste e calcularam qual seria a nota que o enquadraria entre os 2% mais inteligentes da população.
Se for analisar bem, estar entre os 2% mais inteligentes da população é ser o mais inteligente de um grupo de 50 pessoas, o que não é tanto assim. São 120 milhões de habitantes do planeta neste percentual. A Mensa Brasil possui um associado muito famoso, muito conhecido na associação por ser extremamente inteligente, apesar da cara de surfista e aproveitador da vida, que é o Roger Moreira, vocalista do Ultraje a Rigor. E ele não passou raspando no teste da Mensa, seu QI é realmente altíssimo.
O teste é universal, ou seja, o mesmo teste é aplicado em todos os países do mundo, e não possui nenhuma palavra escrita em nenhuma língua. São 60 testes de Matrizes Progressivas de Raven, que existem há mais de 70 anos. E o quê são estas tais matrizes? Sabe aqueles testes de provas de raciocínio lógico que possuem algumas figuras e que você tem que adivinhar qual a figura que falta para completar a sequência? Então, são eles. Se ainda não sabe, jogue este nome no Google que rapidamente você encontrará uma explicação sobre eles. Procure no site da Wikipedia <http://pt.wikipedia.org>. Aliás, eis um ótimo site para procurar diversas respostas a suas dúvidas cotidianas. Sinceramente, eu não saberia mais viver sem o Google e a Wikipedia, acho que ficaria mais perdido que cachorro quando cai do caminhão de mudança.
O teste da Mensa não lhe dá qualquer nota nem medição de QI, ele simplesmente o coloca entre os 2% mais inteligentes da população ou não, ou seja, o resultado é do tipo aprovado ou reprovado. Até uns anos atrás ele dava o seu QI, mas agora não dá mais. E como o teste não é muito difícil, não serve para medir quem está no topo do 1% mais inteligente da população, ou seja, ele só serve para avaliar até quem pertence ao seleto grupo de 1% dos mais inteligentes do planeta. Mas a Mensa aceita que seja seu membro quem estiver nos primeiros 2%, não precisa estar no 1%, entendeu? É como se para passar em uma disciplina na faculdade você precisasse tirar no mínimo nota 7, mas tirou 8.
E se você gabaritar o teste, quer dizer que é o cara mais inteligente do mundo? Claro que não, porque o teste não mede grandes conhecimentos. Existem outros testes muito mais difíceis, que são capazes de avaliar QIs mais altos. O teste da Mensa só afirma que você se encontra dentre os mais inteligentes da população, mas nada mais além disso. No site da Mensa tem as instruções para quem quiser um dia fazer o teste de admissão, que é feito em diversas cidades.
Bem, mas para que serve ser um Mensa? Para conviver, mesmo que somente através de listas de discussão, com diversas pessoas que possuem gostos comuns ao seu, com elevados níveis de conversa e experiências.
Sei que vão me perguntar se já fiz o teste e se fui aprovado. Bem, a primeira resposta é afirmativa, ou seja, eu fiz o teste sim, porque fiquei muito curioso para fazer quando descobri o dito cujo. Eu gosto de me testar e não tenho mais medo de qualquer resultado, pois nada vai ser pior do que ter sido reprovado no Auditor da Receita Federal em 1994 ou no Colégio Naval em 1985. Depois que fui aprovado nos últimos dois concursos que fiz estudando poucos meses, muita gente começou a me falar que eu era diferenciado, era um gênio etc. O que eu nunca aceitei, porque me conheço melhor do que ninguém e sei que não sou. E apesar de saber que o teste da Mensa não prova que ninguém é ou não um gênio, mesmo que seja aprovado ou reprovado, fiquei curioso, por isso fui lá e fiz. E a segunda resposta, a se eu passei ou não no teste? Bem, esta eu não respondo nem a pau, por que das duas uma: se eu digo que fui reprovado, você vai pensar: "para quê estou lendo um texto deste cara?", ou então: "que cara burro!", e se digo que fui aprovado, você vai dizer: "que cara idiota, gosta de aparecer!". Então prefiro ficar calado, ok?
Eu trouxe dos EUA uns 15 livros só de testes de QI, vários deles organizados pela Mensa, que é muito famosa nos EUA. Lá há pessoas que incluem em seus currículos que são membros dessa instituição. Existem cursos preparatórios para o seu teste, para você analisar o nível que chegou a fama desta instituição na "terra do tio Sam". Já até vi filme de Hollywood que mencionou a Mensa. Em janeiro de 2010 no programa "1 contra 100" do Roberto Justus havia diversos membros da Mensa entre os 100, que toda hora eram destacados pelo apresentador. Enfim, é a instituição mais famosa do mundo neste ramo, e é muito bem conceituada, por ser séria.
No Brasil há outra associação chamada Sigma Society <www.sigmasociety.com>, que possui um teste muito mais difícil do que o da Mensa para medir seu QI e aceitá-lo em sua sociedade ou não. É um teste de 36 questões no qual você imprime as questões diretamente do site e não tem prazo para resolvê-las, você vai as resolvendo em casa pelo tempo que quiser. No dia que achar que não dá mais para resolver o restante das questões, porque não dá para resolver tudo mesmo, a não ser que você seja realmente um clone do Einstein, você envia as respostas para o Melão que ele devolverá um estudo completo sobre quanto mede seu QI. Começa por questões bem simples, afinal o teste tem que medir o QI desde um chimpanzé até um gênio absoluto. Dependendo da nota, pode se tornar membro Sigma II a VI. Se você acertar 23 questões, pode ser membro Sigma II, e quantas mais acertar, irá sendo enquadrado nos níveis superiores.
Bem, e quem é o tal Melão? É o brasileiro de mais alto QI já testado até hoje e que é reconhecido no mundo todo como um dos maiores QIs da humanidade. Ele se chama Hindemburg Melão Júnior e mora no interior de São Paulo. Já apareceu em diversos programas, até no Fantástico, incluindo programas no exterior, e possui recordes de xadrez publicados no Guinness Book. Seu QI foi avaliado por um especialista em 177, sabendo que o mesmo especialista avaliou o QI do Chris Langan em 183; logo, perceba que é um valor muitíssimo elevado, pois a diferença foi bem pequena entre o Melão e o Langan, que é quem possui o maior QI efetivamente avaliado até hoje. Foi o primeiro a resolver um problema de análise combinatória que já durava 500 anos sem ser resolvido. Resumindo, é o tipo do cara que você não gostaria de enfrentar em um concurso para uma vaga somente. Lembra da bobagem que é a relação candidato por vaga? Imagine você e o Melão disputando um concurso só com vocês dois como candidatos, mas para uma vaga somente. Relação candidato por vaga baixíssima, de somente 2 por vaga. E aí, você encararia o homem?
Para quem não tem nenhuma noção de Estatística, vou explicar em termos bem básicos e não muito literalmente corretos se formos muito rigorosos no linguajar matemático, como funciona a escala do QI. Ela é dada pela posição em uma curva Normal, também chamada de Gauss ou "de sino". Então imagine um sino em cima de uma linha reta horizontal. Um sino mesmo, deste de árvore de Natal ou que as vacas usam pendurado no pescoço. Divida esse sino ao meio, traçando uma reta vertical bem no seu cume.
Embaixo da curva temos os 100% de QIs da população. Na metade da esquerda se encontram as pessoas que possuem QI abaixo da média e na metade da direita, os que estão acima da média. E quem tem o QI médio de valor 100 está bem no meio.
Há diferentes escalas de medição do QI, geralmente variando por causa do tamanho do desvio padrão adotado em cada uma. Enquanto que em uma escala o QI de uma pessoa pode ser avaliado em 150, em outra pode ser de 180, por exemplo.
Os dois testes mais famosos são o de Stanford-Binet, que adota 16 como seu desvio padrão, e o de Cattell, com desvio padrão igual a 24. Logo, tendo como exemplo o de Stanford-Binet, se alguém tem um QI de 116, está um desvio padrão acima da média (100 + 16). Quem tiver QI de 132, está a dois desvios padrão acima da média. E quem já estudou um pouco sobre esta famosa curva, a área compreendida entre dois desvios padrão e o final da curva é em torno de 2%. Ou seja, 98% das pessoas possuem QI abaixo de 132. Lembra da Mensa, a sociedade que agrega as pessoas que possuem os 2% maiores QIs da humanidade? Então, pode entrar nela quem tiver um QI de no mínimo 132. Já na Sigma Society, aquela do Melão, quem tem 132 de QI pode se tornar membro Sigma II, porque está a dois desvios padrão da média. Se tiver QI de 148 para cima, ou seja, possui QI a 3 desvios padrão da média, pode ser membro Sigma III, e aí por diante, até membro Sigma VI, com QI de no mínimo 196, o que muito poucas pessoas na Terra possuem.
Se achar que o teste da Mensa é pouco para você, afinal ele só enquadra dentre os superdotados (2%), pode tentar entrar na Triple Nine Society <www.triplenine.org>. Ela é chamada assim porque só admite quem está acima dos 99,9% da população, ou seja, quem está nos 0,1% da humanidade, o que pelo que aprendemos no início deste texto, o coloca dentre os gênios de verdade.
Semelhantes à Mensa e à Sigma, existem dezenas de outras associações espalhadas pelo mundo com diferentes teste de admissão, nas quais você pode entrar caso atinja uma determinada nota no teste. E daí escolhem somente os que estão dentre o 1% mais inteligente da população, ou os 0,000001% (um em um milhão) mais inteligentes etc. Algumas destas instituições cobram para corrigirem seu teste, já vi uma que cobrava 500 euros pela correção do seu teste e eventual aceitação à sua sociedade. Existe uma, a Giga Society, que até hoje só 6 pessoas conseguiram entrar, estes sim podemos considerar como verdadeiros gênios da humanidade. O grande problema para fazer os testes dessas instituições é que quase sempre exigem um conhecimento avançado da língua inglesa, pois há várias questões envolvendo embaralhamento de palavras em inglês, que só podem ser feitas se você souber um vocabulário muito amplo.
Um site interessante para você ter uma ideia de como são os testes da Mensa e de diversas outras instituições é este: <http://www.iqtest.dk>. Nele você não precisa saber nenhuma outra língua e pode realizar on-line um teste gratuito com 40 questões.
Quer saber mais sobre verdadeiros gênios? Há um grupo muito estudado pelos cientistas chamado de savants (sábios). Ela pode ser congênita ou adquirida, como após sofrer algum dano cerebral. Especula-se que haja aproximadamente uns 100 savants no mundo, mas metade destes são autistas e a outra metade possui algum tipo de desordem de desenvolvimento, infelizmente. A síndrome de savant é mais comum em pessoas com QI de 40 a 70. E são de 4 a 6 casos em homens para cada um de mulher.
Você já assistiu ao excelente filme chamado "Rain Man", com o Dustin Hoffman no papel principal e o Tom Cruise como seu irmão? Ele ganhou o Oscar de melhor filme em 1988 e o Dustin Hoffman ganhou o de melhor ator. Caso não tenha visto, veja, é excelente, e mostra muito bem a vida do savant mais famoso e genial de todos, o Kim Peek. Este senhor nascido em 1951 simplesmente sabia de cor 12 mil livros inteiros, incluídos aí vários catálogos telefônicos, diversas enciclopédias etc. Aos 16 anos já sabia de cor toda a obra de Shakespeare e a Bíblia.
Ele lia duas páginas simultaneamente em 8 segundos, utilizando a incrível capacidade de ler ao mesmo tempo a página da direita com o olho direito e a da esquerda com o olho esquerdo. É como se tirasse uma fotografia. O percentual de acertos de tudo que já leu na vida é de 98%. Pense nisto: ele, quando era criança, leu o catálogo telefônico de Utah, seu estado natal, por exemplo. Aí alguém hoje, passados dezenas de anos, pergunta o telefone de várias pessoas aleatoriamente e ele acerta 98% das perguntas. Parece mentira, mas com certeza não é, ele já foi tema de inúmeros documentários, pode pesquisar no Youtube que encontrará vários.
Todos os dias ia com seu pai a uma imensa biblioteca perto de sua casa e lia, em média, 8 livros de cada vez.
Bem, um cara destes mata qualquer concurseiro de inveja, não é? Pior que não, sabe por quê? Porque ele possuía diversas dificuldades motoras, que o impossibilitavam até mesmo de se vestir sozinho, tomar banho, pentear o cabelo ou escovar seus dentes. Ele andava, falava etc., mas não tinha coordenação motora para essas simples tarefas do dia a dia, nem saberia resolver uma questão de Exatas, por exemplo. Ele só conseguiu andar aos 4 anos e subir uma escada aos 14. Ele só decorava tudo, mas não passaria em um concurso nunca.
Fez um teste de QI e foi avaliado em 87, ou seja, menos que um cidadão de QI comum, que é de 100, conforme já vimos. Resumindo, era muito bom para decorar, mas ruim para muitas outras coisas. Seu pai passava o dia todo o ajudando. Seu pai, Fran Peek, escreveu dois livros sobre o filho, os quais tive o prazer de ler. Ao mesmo tempo que impressiona sua capacidade de memorização, dá pena por ser tão limitado e infantil em outras coisas. É uma criança adulta.
Faz poucos anos começou a estudar música clássica. Em pouco tempo sabia identificar uma música após ouvir somente os primeiros toques, e reproduzia integralmente as notas da música até seu término. Sabia reconhecer o autor de uma música somente pelo estilo do músico, mesmo que nunca tivesse ouvido a canção antes. Mas não podia ir a nenhum concerto, porque dava chilique quando um instrumentista errava alguma nota. Isso mesmo, ele conseguia ouvir separadamente o que cada componente da orquestra estava tocando, identificando os erros imediatamente.
Infelizmente a humanidade o perdeu no dia 19 de dezembro de 2009, vítima de um ataque cardíaco, aos 58 anos. Ficamos sem nosso Google humano, como era apelidado. Confesso que fiquei bem triste ao ler essa notícia, porque era seu fã e sonhava um dia assistir a uma de suas palestras nos EUA.
Existem diversos outros exemplos de savants fenomenais, dentre os quais destaco mais um: Daniel Tammet. Ele é um dos poucos que possuem plena consciência do que faz e vive quase normalmente, apesar de ter nascido autista e ainda ser, apesar de hoje ser mais bem adaptado ao mundo. Escreveu dois livros muito interessantes, os quais eu tive o prazer de ler o primeiro.
Ele bateu um recorde mundial ao recitar mais de vinte e duas mil casas decimais do número pi exatamente. Lembra que você reclamava na escola que tinha que decorar que o pi tem o valor aproximado de 3,14? Imagine decorar com vinte e duas mil casas decimais.
Ele aprendeu 11 idiomas facilmente. Uma vez um programa de TV o desafiou a aprender o islandês em uma semana. Além dos caracteres serem muito diferentes dos que utilizamos (A a Z), a estrutura do islandês também é muito diferente, o que a torna uma das línguas mais difíceis do mundo. Uma semana depois ele fez um programa ao vivo de uma hora de duração conversando com entrevistadores professores de islandês e ao final do programa estes afirmaram que ele não cometeu um erro sequer, que seu islandês tinha sido perfeito.
O 3º e último savant que comentarei aqui se chama Stephen Wiltshire, que nasceu em Londres em 1974. O que ele faz de melhor é bem diferente dos savants anteriores, e igualmente surpreendente: Ele desenha com perfeição, numa escala exata, uma cidade somente após tê-la sobrevoado durante 20 minutos de helicóptero. No Youtube você encontra vídeos dele desenhando Londres, Tóquio, Roma, Hong Kong, Madri, Nova Iorque etc. Veja alguns desses videos, é simplesmente impressionante.
Alguns neurologistas afirmam que dois dos maiores gênios da história, Isaac Newton e Albert Einstein, tenham sido savants, pois apresentavam alguns sintomas da síndrome de Aspenger, uma forma moderada de autismo, a mesma que o Daniel Tammet possui.
Caso tenha ficado curioso para saber mais sobre estes verdadeiros gênios, procure no Youtube <www.youtube.com> por "síndrome de savant", que você encontrará diversos vídeos fantásticos sobre eles, a maioria legendados em espanhol, que dá para nós entendermos bem, mesmo sem nunca ter estudado essa língua. Tem um de menos de uma hora de duração dividido em 5 partes que é muito legal, chama-se "Mentes Brillantes, Sindrome de Savant". Eu achava que sabia fazer cálculos rapidamente, mas depois que vi um alemão neste programa, eu hoje me acho um jumento nesta tarefa. E há diversos outros vídeos sobre o Kim Peek.
Ao assistir a esses vídeos você vai se sentir o mais burro dos humanos, uma anta, uma toupeira, um bicho de goiaba. Mas como consolo, faço questão de dar uma grande notícia: nenhum destes gênios estuda para concursos.
Bem, caro sofredor, espero que tenha colaborado com um pouco de cultura geral para você. E, por favor, pare de achar que somente gênios passam em concursos, isso é uma grande bobagem, estou cansado de ver aprovados que não são gênios, e que estes sim, são uma minoria muito pouco expressiva dentre os aprovados. Passar em um concurso depende principalmente de HBC, persistência, organização, vontade, determinação e utilizar bons matérias e cursos. Não tem muito mistério, é estudar mesmo, qualquer um pode chegar lá.
Abraços a todos e boas HBC
Alexandre Meirelles
alexmeirelles@gmail.com
Rede LFG / Curso para Concursos