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M18 - Quantidade de Estudo Diário
03/06/09 · Alexandre Meirelles

M18  -  Quantidade  de  Estudo  Diário

Junho de 2009

Caros concurseiros sofredores,

fiquei enrolando para escrever uma nova coluna baseada no eventual edital do ICMS-SP, mas como ele atrasou mais um pouco, resolvi escrever outra enquanto isso, que abranja a mais pessoas.

Quando sair o referido edital, escreverei uma coluna para orientar melhor os seus candidatos. Também pretendo escrever em breve uma coluna sobre testes de QI, gênios, Mensa etc.

Nesta coluna resolvi responder às duas perguntas mais comuns que atingem todas as pessoas que já passaram em algum concurso:

"Quanto tempo você estudou?" e "Quantas horas eu tenho que estudar por dia para passar?"

Não saberia responder a quantas vezes eu ouvi estas perguntas ou as respondi por email. Então gostaria de tecer alguns comentários sobre as respostas que eu daria a elas.

E aproveitando estas perguntas, escrevi sobre vários assuntos próximos. Em alguns trechos poderá parecer que estou desmotivando vocês, mas isso não é verdade, eu só não iludo ninguém, eu mostro o que penso e o que vejo acontecer neste mundo, sem temer reações adversas.

Outra pergunta que sempre recebo por email é esta: "você tinha a impressão de que quanto mais estudava, menos sabia, ou seja, tinha a sensação de que mesmo estudando há meses ou anos ainda não sabia nada, que esquecia tudo e/ou que a matéria era infinita?" sim, eu e quem usa calça jeans; a torcida do Vasco, a do flamengo e a do corinthians juntas; o Deme; o William Douglas, enfim, todo mundo. É absolutamente normal. E uma das coisas que explicam isso é o simples fato de que quanto mais aprendemos um assunto, mais a gente se aprofunda e mais temos a sensação de que há uma infinidade de coisas para estudar e que não sabemos nada. Isso em qualquer área do conhecimento ou algo parecido. Após passar, tente começar a mergulhar, a fazer tricô, a estudar inglês ou o efeito do pulo de uma pulga na rotação terrestre ou da menstruação de uma baleia na tonalidade do mar Vermelho. Quanto mais você estudar, seja qual for o assunto, mais vai constatar que tem muita gente que sabe muito mais do que você e que ainda tem muito a aprender. É normal. Não se preocupem com isso. O Deme estava desesperado na véspera dos concursos que fez e arrebentou em todos, foi o maior fenômeno da área fiscal até hoje e acho difícil alguém um dia superá-lo. Eu também estava, tive noites de insônia com medo de não passar, achando que sabia pouco, e passei com sobras.

A maioria das pessoas que começam a estudar para concursos, além de estarem mais perdidas que cachorro quando cai do caminhão de mudança, estão levando uma vida insatisfatória e viram na possibilidade de alcançar um cargo público sua tábua da salvação. E a primeira preocupação que as toma é saber quanto tempo levarão estudando até conseguirem passar, para saírem da pindaíba em que se encontram.

O William Douglas sempre diz uma das frases que mais considero válida neste mundo dos concursos: "Concurso não se faz para passar, mas até passar". Acredito que a grande maioria de vocês já tenham a ouvido. E eu afirmo embaixo o que ele escreveu, pois é uma grande verdade.

Os problemas do mundo não se resolvem da noite para o dia. Primeiro, vocês não terão todos os seus problemas sanados quando passarem em um concurso. Eles poderão ser mais bem solucionados, porque o cargo público oferece estabilidade, boa remuneração e tranquilidade para desempenhar suas tarefas no trabalho e fora dele. Não será um milagre em sua vida, mas será um grande avanço, sem dúvida, principalmente no lado financeiro e na diminuição do seu stress.

Mas pensem comigo: se passar para um bom cargo oferece uma recompensa tão grande, por que seria fácil alcançá-la? Será que não seria injusto pensar em uma pessoa que faz uma ótima faculdade, mestrado, doutorado etc e rala mais do que bunda de cobra 12h/dia e ainda está longe de conseguir o que vocês podem conseguir ao passar? Sinceramente, eu acho muito injusto. Mas então vocês terão que ralar mais do que estas pessoas para vencer no disputado mundo dos concursos? Pior que não, o mundo é injusto mesmo. Vocês terão que ralar menos que este pessoal. Aliás, muito menos. Ué, então por que estes "gênios" acadêmicos não começam a estudar para concursos? Por diversos motivos, mas seja qual for o motivo, façam-me um favor, não contem para eles isso, para não piorar ainda mais a dificuldade dos concursos eheheheh

Então agora, feita esta explanação inicial, darei algumas dicas para vocês:

1ª dica) NUNCA mais perguntem aos aprovados quantas horas estudaram por dia e/ou por quanto tempo estudaram.

Pelo simples motivo da resposta ser totalmente aleatória. Se eu perguntar aqui no meu trabalho, um vai dizer que foram 4 meses, o outro 9 meses, o outro 2 anos e o outro 4 anos. Isso é fato, não é um exemplo hipotético, é a verdade mesmo dos meus colegas que trabalham comigo, aprovados no mesmo concurso que eu. E então quer dizer que o que estudou por 4 anos é mais burro que o que estudou 4 meses? Não necessariamente, pode ter sido questão de oportunidade, dos concursos que cada um prestou, do tempo disponível de estudo diário de cada um, dos materiais e cursos que utilizou em sua preparação, de técnicas de estudo, de disciplina, da "bagagem" anterior ou por outros inúmeros motivos.

Vamos pensar na área fiscal. Suponha que um concurseiro do sudeste começou a estudar em janeiro de 2006. Ele teve um concurso para o ICMS-SP 4 meses depois, e muito provavelmente não passou, porque tinha muito pouco tempo de estudo, estava ainda começando a se ambientar neste mundo, dando os seus primeiros passos. Depois ele teve um concurso no início de 2007 para o ISS-SP, que por diversos motivos ele pode não ter passado. E depois o que teve para fazer? Nada. Viveu em um deserto de editais por esses mais de 2 anos. Agora que apontam duas luzes no fim do túnel: AFRFB e ICMS-SP.

Por favor, não venham me falar que tiveram 2 concursos para o ICMS-RJ, não vou perder meu tempo aqui discutindo estes concursos que tiveram. E nem adianta me mandarem emails perguntando sobre este concurso, porque prefiro ficar calado em certas horas.

Então, voltando aos concursos reais, caso este candidato seja aprovado no AFRFB ou ICMS-SP, quanto tempo ele ficou estudando? Aproximadamente 3,5 anos. E ele é burro por isso? Óbvio que não, ele só não teve oportunidade de testar seu conhecimento antes disso. E se não passar agora, ele é burro? Óbvio que não, os concursos na área fiscal são muito concorridos, há milhares de candidatos bem preparados que podem ser aprovados em qualquer concurso, deixando muita gente boa de fora. O AFRFB aprovou mil no último concurso de 2005 e mesmo assim milhares candidatos bons ficaram de fora. Se quiserem fazer um concurso para 3mil vagas, só entrará gente cascuda. Hoje em dia é assim.

Então agora pensemos em um concurseiro que começou a estudar em janeiro deste ano de 2009 e que será aprovado em um destes 2 próximos certames. Ele terá estudado uns 7 meses, por exemplo. Isso é possível? Claro que é, mas não deixa de ser difícil, óbvio. E o que fará este candidato ser aprovado em um concurso tão concorrido com tão pouco tempo de estudo? Vários fatores, dentre eles, eu destaco:

a)    apoio familiar;

b)    investimento em bons livros e cursos desde o início, assunto este que aprofundarei mais à frente;

c)    disciplina, raça e organização;

d)    tempo disponível para estudar;

e)    estado emocional durante seu estudo e na hora da prova;

f)     costume em estudar anteriormente, fato este que também comentarei mais a seguir.

Suponhamos o próximo concurso para o ICMS-SP, que terá o imenso número de 600 vagas. No dia da prova haverá os 600 que mais sabem o conteúdo do que vai ser cobrado na prova, então eles serão os que passarão, certo? Errado, a coisa não funciona assim. Haverá um monte destes 600 que entrarão na prova arrasados emocionalmente ou mal de saúde e ficarão de fora. Terão dezenas que saberão o conteúdo muito bem, mas que não sabem fazer prova. E os que sabem muito da teoria, mas não sabem fazer exercícios e caem em todas as pegadinhas, são muitos? Sim, são sim. São os teóricos que nunca colocam o conhecimento em prática, fazem poucos exercícios durante o estudo.

Então quem serão os 600 aprovados? Serão 600 dentre os, chutando, 3mil candidatos que possuem condições de serem aprovados naquele certame. Serão os 600 que chegarem bem de saúde e emocionalmente, que saberão fazer a prova e que, óbvio, estudaram bastante.

Então quanto tempo, em média, um candidato dentre estes 600 terão estudado? Caramba, as respostas serão as mais diferentes que vocês puderem imaginar. Fora os milhares de aprovados em todos os concursos que gostam de mentir. Muitos bancam os gênios dizendo que estudaram após sair o edital ou poucos meses. A grande maioria destes aprovados que responderem isso a vocês, estão mentindo, eu diria mais de 90%. Há os que conseguiram sim, é verdade, eu mesmo conheço alguns, mas são bem poucos. E haverá aqueles que gostam de exagerar, dizendo que estudavam 12 ou 14h/dia. Vou contar uma coisa aqui para vocês: mais de 90% das pessoas que dizem isso também ou não estão falando a verdade ou então contam horas brutas como se fossem horas líquidas de estudo. Eu, durante os meses que estudei para AFRFB e ICMS-SP, por umas 5 vezes consegui estudar entre 9 e 10h líquidas em um dia. E no outro dia não consegui estudar nem 6h. Meu recorde foram 9h45min em um dia. O Deme, nos 3 anos que estudou, conseguiu uma vez estudar 13h líquidas, mas foi um dia só, e no outro dia travou. Eu começava a estudar umas 7h da manhã e só parava muitas vezes após 0h. A grande maioria dos candidatos diria então que estudaram mais de 12h nestes dias. E isso não é verdade, quase sempre eu computava entre 6 e 8h líquidas de estudo.

Então, por favor, não acreditem no que a grande maioria dos aprovados disser para vocês do quanto estudavam, porque a grande maioria mente, exagera ou então contam horas brutas como se fossem líquidas. Horas de estudo é igual salário, o que importa é o líquido, e não o bruto.

E a experiência anterior que o candidato tinha, isso conta muito? Claro que sim. E na área fiscal eu não acho tão importante o curso superior que ele tenha feito e sim a dificuldade do curso e o quanto ele já estudou na vida, não interessando se foi Botânica ou Arte Contemporânea. O 5º curso que mais aprovou no último AFRF foi Odontologia. Será que os dentistas viram Contabilidade, Direito ou Informática na faculdade? Claro que não, eles viram foi um monte de bocas abertas cheias de dentes estragados. Então por que eles passam tanto na área fiscal? Porque foram acostumados a estudar desde o vestibular. Tiveram que estudar bastante no curso superior. O cérebro e o corpo se acostumaram a estudar.

Sabem o Marcelo Alexandrino, autor renomado de Direito Administrativo e Constitucional, que é AFRFB? Ele foi um dos primeiros colocados no concurso dele, salvo engano meu, foi o 2º lugar nacional, e era dentista quando passou. Sabem o João Marcelo Rocha, que foi 1º colocado nacional no AFRF de 94 e que possui um excelente livro de Direito Tributário? Ele era oficial da Marinha Mercante quando passou. E só tinha estudado o mar, nada a ver com as disciplinas do concurso. Vários militares passam em concursos fiscais, alguns até nas primeiras colocações, como o Paulo Dantas no ISS-SP e o Felipe Perrotta no 1º ICMS-Rio, dentre inúmeros outros. Só que os milicos têm características que sobressaem sobre a grande maioria dos demais: um corpo acostumado a estudar, disciplina, confiança e muita raça. Então se o candidato era acostumado a estudar, não interessa o quê, conta? É o óbvio ululante que sim.

Pense na seguinte analogia: um cara malhou durante anos a fio e era saradaço, só que parou por uns anos. Um belo dia ele resolve voltar a malhar, só que fazendo aparelhos diferentes e um novo tipo de série, bem diferentes do que fazia antigamente, só que exercitava os mesmos músculos de sempre: bíceps, tríceps, panturrilha, coxa, peito etc. Aí chega na academia um cara franzino que nunca fez um exercício na vida, salvo aqueles que eram obrigatórios nas aulas de educação física nos tempos de escola. Quem você acha que em poucos meses terá uma evolução melhor?

A analogia acima tem a ver com estudo? Caramba, tudo a ver. O corpo dele era acostumado a malhar, assim como o cérebro de pessoas que já estudaram muito na vida.

Quando as pessoas me perguntam quanto tempo eu estudei para passar no AFRFB em 2005 e eu respondo que foram 5 meses, ao mesmo tempo em que trabalhava, tinha meus afazeres de marido e alguns trabalhos para fazer no mestrado, as pessoas dizem: "você é um gênio". E eu acho graça, porque quem me conhece, sabe que estou longe de ser um. Só que eu sempre respondo para as pessoas olharem esta minha resposta de 5 meses com muito cuidado, porque eu sempre estudei muito em minha vida. Fui cadete do exército, passei para Informática na UFRJ, em uma época que era mais difícil passar até do que Medicina, fiz duas pós, um Mestrado em Federal, e tudo na área de Exatas, que com certeza é mil vezes mais puxada que as outras. E eu era um gênio? Não, nunca fui, já afirmei que não. Só que eu sempre estudei, tanto é que há mais de 10 anos convivo com dores infernais nas costas, que culminaram em uma hérnia de disco. O meu cérebro sabe o quê é estudar. Quando sento em uma mesa para estudar e estudo por horas, ele se sente em casa. Coisa que não aconteceria se eu ficasse em uma academia, uma aula de dança ou jogando bola, pois meu corpo estranharia. O mesmo acontece com vários candidatos.

Tenho um amigo aqui na minha Delegacia que começou do zero e em 4 meses passou em 8º lugar no meu concurso. E dele eu tenho certeza, porque ele me procurou e a mais diversos outros colegas quando começou a estudar para pegar dicas de livros, métodos etc. Só que o cara é formado no ITA e possui mestrado em Finanças na UFRJ. Quando ele começou a estudar horas e horas por dia durante estes 4 meses, o corpo dele estava em casa, seu cérebro não reclamava, como acontece com a grande maioria.

Quem não foi acostumado a estudar levará alguns meses para adaptar seu corpo a isso. Nas primeiras semanas estudarão duas horinhas e não aguentarão mais. O cérebro reclamará, as distrações serão muitas, a concentração estará horrível etc. Só que os bons candidatos insistirão e os seus corpos, aos poucos, acostumarão com esta vida. Dentro de alguns meses estarão estudando várias horas por dia, mas ainda com pouca concentração. E eles vão insistindo, até que conseguirão estudar 8h em um dia com um bom nível de atenção e concentração. Chegarão ao nível daqueles candidatos que já eram acostumados com isso há anos e anos.

A esta hora há muitos candidatos pensando: "caramba, estudei em escola pública, fiz uma faculdade por correspondência e nunca fui de estudar, não vou passar nunca!". Claro que vai passar, só que seu corpo demorará mais a engrenar no estudo. Você vai ter que experimentar métodos, horários e formas diferentes de estudar até que ache como você rende mais. Isso é pessoal.

Lembram do cara que nunca tinha malhado, que comparei com o que era ex-marombeiro? Será que ele pode ficar com um corpo sarado um dia? Claro que sim, levará mais tempo, o corpo chiará com dores algumas vezes, vai experimentar diferentes tipos de série, exercícios etc., mas chegará lá. E sabem o que é bom? É que não interessa a área de concursos que você escolher, sempre terão muito mais vagas disponíveis do que os geniozinhos ou a galera cascuda que está estudando há um tempo. Por isso quando vocês entrarem em um cargo concorrido, constatarão que a maioria dos aprovados não eram acostumados a estudar, mas passaram a ser quando viraram concurseiros.

Sabem uma coisa que eu logo analiso vocês nos emails que recebo e de acordo com os seus textos eu direciono meu tipo de resposta? A quantidade e a qualidade dos erros de Português que muitos de vocês cometem. Caramba, não é possível a quantidade de erros que vocês cometem. Erros dos mais básicos. E o que isso demonstra? Que muitos nunca tiveram o costume de ler, ou seja, nunca foram de estudar muito, ou então pelo menos o hábito de ler livros de leitura comum. Sei que a língua portuguesa é das mais difíceis do mundo, com certeza neste meu texto um professor da disciplina identificaria inúmeros erros de concordância, regência, formas verbais, estrutura, pontuação, uso do "porque" etc., mas garanto que são erros menos visíveis a um leitor comum, não são erros dos mais escandalosos.

E eu sei isso por que sempre estudei muito Português? Não, é por que sempre li muito, simples. Eu acredito que nem no primário eu seria capaz de trocar um "mas" por um "mais" em uma redação, assim como inúmeros outros amigos meus nunca fariam isso. E parece que é regra dentre a maioria de vocês, pois não usam o "mas" nunca. Como é que um candidato, a maioria de curso superior, pode escrever uma frase como esta:

"Alexandre, estou estudando há 2 anos, mais ainda não passei". Eu recebo dezenas destas pérolas. Caraca, troque o "mais" da frase por "menos". Faz algum sentido? Então como é que erra uma coisa tão banal assim? Isso é burrice? Óbvio que não, é falta de leitura, principalmente dos mais novos, das gerações posteriores a minha.

Sabem qual a melhor forma de se estudar Português? Vigiem-se e aos outros. Não precisam consertar as pessoas, porque muitos poderão ficar irritados com vocês, mas quando vocês ou alguém falar alguma frase, anotem e vejam se ela está correta quando chegarem em casa. Quando seu colega falar para você: "não sou louco de desobedecer o chefe", anote e jogue no Google: "desobedecer regência". Simples assim. Em frações de segundo aparecerão inúmeros sites que mostrarão para vocês que "obedecer/desobedecer" são transitivos indiretos, logo, seu colega teria que ter falado: "não sou louco de desobedecer ao chefe".

Quando alguém falar: "vamos no cinema?", anote e consulte em casa e verá que o certo é "Vamos ao cinema?" e passe a falar assim, por mais que as pessoas olhem de cara torta para vocês. Acostumem-se com isso que esta bobagem renderá, além de falar como se deve, mais alguns pontinhos na prova que poderão deixar vocês no mundo dos aprovados ou dos ainda concurseiros.

Garanto que é muito mais difícil achar um erro tipo este do "mas x mais" dentre militares, engenheiros, médicos etc.  E eles estudaram Português na faculdade? Claro que não, mas leram muito.

Tem solução para quem cometeu esta atrofia cerebral em toda sua vida, de ficar só assistindo a novelas, Big Brother, Luciana Gimenez ou programa esportivo? Claro que tem, é só tomarem vergonha na cara e começarem a estudar e/ou a ler, independentemente de serem concurseiros ou não. Podem ver estas coisas na TV, como eu mesmo assisto a um jogo de vez em quando, mas que não seja só isso, leiam também.

Ontem mesmo eu estava assistindo a um jogo na Globo e o comentarista falou: "os treinadores expuseram suas defesas, desculpem-me, exporam suas defesas...". Caraca, o cara falou certo e depois "consertou" para o errado. Só que no concurso que ele fez para ser jogador de futebol não caía Português e assim pôde ficar rico, mas vocês terão que ganhar a vida estudando, então vigiem-se. Recuperem o tempo perdido cometendo estes harakiris cerebrais.

Façam um favor ao seu filho: dêem um livro do Harry Potter para ele ler, porque ele vai adorar e muitas vezes pegará o gosto pela leitura. Lerá o 1º, o 2º, o 3º até o 7º. Serão milhares de páginas para aprimorar seu Português. Depois que ler aqueles calhamaços sem qualquer figura, não terá mais grandes problemas em ler os livrinhos da escola. Mas os professores das escolas insistem que as crianças leiam livros de dezenas de anos atrás, com palavras rebuscadas e de assuntos chatos para eles, e depois os pais e os professores reclamam que os meninos não gostam de ler. Muitos de vocês passaram por isso. E qual a mensagem que fica sobre leitura? que ler é muito chato, muito melhor é ver um desenho. E assim temos gerações e gerações de analfabetos funcionais. Mas esta é uma questão muito mais profunda. Se quiserem aprofundar mais neste assunto, leiam os 2 excelentes livros do Pierluigi Piazzi, sendo o volume 1, "Aprendendo Inteligência", mais voltado para os estudantes, com ótimas dicas até para vocês, concurseiros, e o 2º volume, "Estimulando Inteligência", mais voltado para os pais. São 2 livros de rápida leitura, que com certeza farão vocês repensarem muitos dos seus conceitos. Qualquer busca no Google, Submarino ou algo similar vocês os encontrarão. Acho leitura obrigatória para os pais, principalmente.

Resumindo, tem como recuperar o tempo perdido e alcançar o conhecimento suficiente para passar em um bom concurso? Claro que sim, só que terão que ralar mais do que bunda de cobra...

Sei que neste ponto da leitura desta coluna já terão inúmeros concurseiros me xingando desta forma: "droga, eu paro para ler uma coluna intitulada "Quantidade de Estudo Diário" e o cara não me responde a esta pergunta, que eu tanto queria saber? Perdi meu tempo lendo este idiota!"

Para estes que necessitam tanto de uma resposta milagrosa, que lêem o livro "O Segredo" e acham que serão as pessoas mais afortunadas do mundo, que se iludem com qualquer promessa de salvação, eu darei a resposta que tanto procuram, que é bem simples:

ESTUDEM O MÁXIMO QUE VOCÊS CONSEGUIREM, MANTENDO A SAÚDE EM DIA!

Ué, mas eu só consigo estudar 2h/dia e conheço vários candidatos que estudam 8h/dia, como é que eu passarei um dia? Estudando sempre, utilizando ótimos materiais e só fazendo os cursos que realmente saiba que são bons. E continue firme nesta empreitada, que uma hora você acumulará um bom nível de conhecimento.

2ª dica) procurem adaptar sua vida ao seu horário de estudo, e não o contrário

Esta dica escreverei na 3ª pessoa do singular, para ficar mais pessoal, ok?

O que quero dizer com o título desta dica? É para sempre que possível tentarem descobrir em qual horário seu estudo rende melhor e tentar mudar sua vida para aproveitar este horário.

Você rende bem de manhã, mas nesta hora tem que cuidar do seu filho? Não tem como colocá-lo na escola de manhã em vez da tarde? Não tem ninguém para cuidar dele? Não tem como você acordar mais cedo para estudar um tanto antes dele acordar, nem que isto implique em você dormir mais cedo para poder acordar antes?

Você consegue estudar 1h no almoço no trabalho e 2h à noite? Beleza, quer um conselho? Tente fazer exercícios ou ler e/ou fazer seus resumos na hora que estiver mais cansado e deixe a hora mais silenciosa e/ou descansada para estudar a teoria.

Tem gente que quer estudar matéria nova no metrô ou no ônibus. Caramba, vai ficar lendo a mesma página 100 vezes e não vai absorver nada. Leia seus resumos, leia o que marcou de amarelo nos livros ou na legislação e somente em último caso estude coisas novas nestes horários sujeitos a diversas distrações. Será que não é óbvio isso? Quantos meses você passará tentando estudar teoria em locais inadequados e depois ficar reclamando que não se  lembra de nada?

Em casa à noite é muita bagunça e você não consegue se concentrar ou então chega muito cansado e não aproveita quase nada? O Deme trabalhava 8h/dia e ainda pegava o maravilhoso trânsito de SP de carro para ir e voltar ao trabalho e ainda assim passou em 1º no AFRFB, sabe fazendo como? Ele chegava em casa morto do trabalho e do engarrafamento de 1h30min para voltar para casa, tomava banho, jantava e ia dormir umas 8h da noite. Acordava às 3h da matina e estudava até às 8h. Silêncio total, sem TV ligada, telefone tocando e com o corpo descansado. Ele não tinha como mudar seu horário de trabalho ou acabar com o trânsito de SP, então resolveu virar quase um morcego.

Enquanto eu fazia o curso de formação do AFRF eu tive que estudar para SP. Só que o curso acabava às 18h30min e eu levava mais de 1h para chegar em casa de carro, porque a ESAF era no extremo oposto à minha casa em BH. O que eu passei a fazer então? Saía do curso e ia direto a uma biblioteca em uma faculdade que tinha perto da ESAF e ficava lá até ela fechar, umas 22:15. Daí seguia para casa sem trânsito algum, jantava e arrumava o material para estudar no dia seguinte. Rendia muito mais assim, porque fora a 1h que eu economizava no trânsito, eu estudava menos cansado.

Não entendo tanta gente que sai do trabalho em SP, Rio, BH etc e pega um baita trânsito até em casa, para estudar com o cérebro e o corpo no bagaço total. Por que não vai a alguma biblioteca ou algo parecido e depois retorna para casa sem trânsito algum? Claro que há pessoas que possuem tarefas a fazer em casa, como pegar o menino no colégio ou não têm onde estudar perto do trabalho; para estes não têm jeito, mas os que pegam engarrafamento à toa são em maior número do que estes e estão dando mole.

É muito fácil arrumar desculpa para não estudar, muito mais fácil do que estudar. Mas quem passa é quem não se importa com suas limitações. Os que bancam os pobres coitados não passam nunca, só enriquecem os donos dos cursinhos e editoras.

Ah, o que seria destes empresários se não fossem os milhões de candidatos anuais com a doença da desculpite...estariam falidos...

3ª dica) tem como reduzir o tempo para a aprovação?

Mais uma vez, claro que sim. Mas como? Escolhendo bons cursos e livros.

Não preciso escrever que acumulando muita HBC também, porque isso é óbvio.

A maioria dos candidatos quando começam a estudar compram os materiais mais sucintos que existem. Iludem-se com estas apostilas grossas que vendem nas bancas prometendo conter todo o conteúdo do edital. E elas contêm todo o conteúdo do edital? Sim, mas é um oceano de conhecimento com 1cm de profundidade. Sabem quando passarão em um concurso difícil estudando só por elas? NUNCA! Não se iludam! Querem passar para fiscal ou algum outro cargo bem concorrido? Então comprem livros especializados, das mais diversas editoras. E evitem livros acadêmicos, tirando quem estiver estudando para a área jurídica.

Sei que para inúmeros concursos, principalmente os de nível médio, as referidas apostilas são boas indicações, uma vez que não há outros materiais disponíveis ou os que há são de um nível muito maior do que precisam, mas para os concursos mais complicados, nem pensar.

Se estiver estudando para a área fiscal, veja a lista de indicações de bibliografia que eu deixo disponível aqui no site, é minha coluna M04, que atualizei faz umas duas semanas. Se sua área não for a fiscal, por favor, nem perca tempo me mandando emails perguntando quais livros que eu recomendaria, pois não faço a mínima ideia. Não é má vontade minha, só que eu não sei nada das outras áreas mesmo, porque nunca foram minha praia, com todo o respeito.

Bem, as dicas basicamente foram estas acima, nas quais aproveitei para tratar de outros assuntos diversos, mas agora vou dar uma fechada no assunto, porque esta coluna ficou muito maior do que imaginava quando eu comecei a escrevê-la e vocês têm que acumular mais HBC.

Então está tudo lindo, tudo maravilhoso, até debaixo d´água o estudo era mais gostoso, mas de repente vocês enlouqueceram, aí um dizia que era ela e ela dizia que era o outro, até um finalmente me perguntar: "mas afinal, Alex, qual a média de tempo de estudo do pessoal?"

Ai, ai, ai, ai...lá vou eu responder a esta pergunta de novo...

Pensando na área fiscal, acho que a média é de 1,5 a 2 anos. Alguns menos do que um ano e outros uns 3 ou 4 anos. Depende muito da safra de concursos que houver neste meio tempo. Acredito que esta média aumente agora na área fiscal, devido àquela escassez de concursos decentes que comentei lá no início. A média entre 2003 e 2006 deve ter sido bem menor, porque houve concursos saindo pelo ladrão.

O Deme estima que um candidato começando do zero com umas mil horas líquidas de estudo tenha uma relativa condição de brigar por um bom concurso fiscal.

E para deixar bem claro, estas mil horas de HBC só contam se forem utilizando bons materiais e de forma organizada.

"Caramba, mas mil horas? Eu não vou conseguir isso nunca, este cara é louco ou então vou desistir de uma vez!", pensarão alguns de vocês.

Façamos a seguinte conta de um candidato que trabalha de 2ª a 6ª: ele estuda 3h/dia durante a semana e 7h/dia no final de semana. Em um mês ele estudará em média 120 horas. Em 8 meses ele terá estudado estas mil horas. Eu escrevi 8 meses só! Pouco, não? Viram como não é tão brabo assim?

Bem, esta é a opinião do Deme, mas eu acho que a maioria dos aprovados estudou mais do que isso, de 1500 a 2mil horas líquidas, muitos até mais. No ritmo do candidato trabalhador do meu exemplo, em um ano alcançaria as 1500 horas e em um ano e 4 meses as duas mil horas. Isso sem levar em conta férias e feriados. Na boa, eu acho que dá. Se vocês acham que é muito difícil conseguir isso, tentem um concurso escada ou desistam. Peçam para sair. Se querem vencer na vida ralando menos do que isso, comecem a jogar na mega-sena ou casem com alguém rico. Digam-me um trabalhador na iniciativa privada que venceu na via ralando menos do que 10mil horas que eu pago uma caixa de cerveja. E podem escolher a marca, que pode ser a minha preferida, a alemã Erdinger, que é bem mais cara que as nacionais.

Se eu estudei menos do que estas mil horas? Sim, estudei acho que umas 600 para passar no AFRFB em 2005. Mas eu comecei do zero? Claro que não, 10 anos antes eu já tinha passado para o ISS de BH e ICMS-MG, então não era bobo, sabia como eram as coisas, mesmo que de leve, fora a base em Exatas, que ajuda bastante na área fiscal, muito mais do que qualquer outra área acadêmica.

Sabem aquele papo lá do início da justiça em relação ao pessoal que investe anos na iniciativa privada para talvez ter algo semelhante a um cargo fiscal um dia? Lembram quando comentei que achava injusto e que tínhamos que ficar caladinhos e não espalharmos por aí que estamos do lado certo e que a grande maioria deles está fazendo bobagem de não estarem estudando? Pois é, agora concordam comigo? Vocês acham justo se dedicarem com afinco por 1 a 3 anos e terem um salário legal, estabilidade, "no stress", status etc e os da iniciativa privada, no sentido mais literal da palavra "privada", ralarem por anos a fio e após muitos anos, ALGUNS destes terem sucesso e conseguirem se manter no topo por dezenas de anos talvez, antes da grande maioria depois ser trocada por um moleque mais novo que ganhará 1/3 do que eles ganharão? Sabem quando vão trocar vocês por um moleque mais novo ganhando menos no serviço público? Quando vocês se aposentarem, olhem que beleza eheheheh

Ainda bem que em 1992 eu enxerguei que este mundo era injusto neste ponto e fiz minha opção por estudar para concursos. Hoje desconheço algum colega de turma de faculdade, e olhem que me formei em Informática na UFRJ em 1992, ou então do meu mestrado em Estatística na UFMG, que esteja melhor do que eu. E neste melhor eu não penso só no salário momentâneo, porque um ou outro pode até estar ganhando HOJE mais do que eu, eu me refiro ao montante que teremos recebido ao final de vida e na saúde após estes anos de trabalho. Quero comparar o nível de stress a que nos submetemos durante estes mais de 15 anos de formados. E esta diferença na quantidade de stress acumulado só tenderá a aumentar cada vez mais, não concordam? A comparação não dá nem pro começo, não tem nem graça. Só de eu nunca ter dormido com medo de perder o meu trabalho já vale muito.

Querem sair por aí espalhando que o mundo é injusto e que é muito melhor pensar em estudar para um bom cargo em vez de ficar dando murro em ponta de faca na iniciativa privada? Fiquem à vontade, porque eu já estou aqui dentro, os ferrados serão vocês ehehehehhe

E eu sempre tive uma certeza, que gostaria que vocês tivessem também: passar em um bom concurso é difícil? Claro que é. Mas vencer na iniciativa privada é MUITO mais, sem dúvida alguma. Então, pelas leis universais do menor esforço e da busca pela melhor relação custo-benefício, fiquem deste lado da força, não se rendam ao lado negro da força, continuem estudando, porque aqui suas chances de vencer na vida são muito maiores.

Estudem direitinho, não desistam, afinal, may the force be with you. Não se rendam ao lado negro da força, ele pode parecer tentador, mais fácil, mas não é. No final o lado negro ruirá e poderá ser tarde para vocês tentarem ficar do lado dos cavaleiros Jedi.

Sejam bons aprendizes Padawan, estudem e pratiquem direitinho, que um dia serão Jedis. Podem desistir, mas serão mais alguns Darth Vaders no mundo e no futuro poderão estar respirando iguais a ele devido ao stress eheheheh

Sei de pessoas que acham que eu penso que não há felicidade na iniciativa privada, mas está muito longe de eu achar isso, o que eu sei é que se vocês estão lendo esta coluna aqui, é porque suas vidas aí fora estão uma droga e vocês enxergaram em suas aprovações em um concurso público uma salvação. E pode ser sim, mas para este sonho se tornar realidade, terão que fazer direitinho o dever de casa, pararem de se preocupar com os outros aprovados ou candidatos, e buscarem o SEU tempo de estudo, do SEU jeito, no SEU ritmo  e alcançarem o SEU sucesso.

Querem que eu repita o que coloquei lá em cima? Aí vai:

ESTUDEM O MÁXIMO QUE VOCÊS CONSEGUIREM, MANTENDO A SAÚDE EM DIA!

E aí, respondi às perguntas iniciais ou querem alguma resposta milagrosa ou receita de bolo pronta? A receita é acumular HBC, o máximo que vocês conseguirem. Simples assim.

PS: eu tenho algum problema mental, não é possível, sentei para escrever uma coluna de no máximo duas páginas e acabei escrevendo sete. Devem ter sido aquelas malditas HBC que fizeram isso com meu cérebro eheheheh

 

Abraços a todos e boas HBC

Alexandre Meirelles

alexmeirelles@gmail.com

 



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