Quando Fazer um Concurso que Aparece e Palestras
Agosto de 2008
Caros concurseiros sofredores,
Esta coluna poderá parecer em alguns momentos que foi escrita para desanimar alguns de vocês, mas não foi essa a minha intenção. É o contrário, é a de trazê-los à realidade e prepará-los melhor nessa dura caminhada rumo ao sucesso no mundo dos concursos públicos.
Tenho recebido muitos emails perguntando sobre se devem ou não fazer o ICMS-Rio.
Claro que não posso dizer se a pessoa deve prestar o certame ou não, isso é decisão de cada um e não quero sair como culpado caso algo dê errado, mas me senti na obrigação de escrever sobre o que acho do assunto, englobando outros casos parecidos.
Primeiro, gostaria de fazer um pedido a vocês: leiam os 2 textos do Deme chamados "Um Pouco de Estratégia I e II", que têm aqui no site, no espaço das colunas dele. São leitura obrigatória para os concurseiros, eu os acho perfeitos e muito pouco terei a acrescentar em cima deles. Então aviso que a leitura desta minha coluna será bem mais aproveitada por vocês se tiverem lido os 2 textos dele antes. Leiam, são de leitura fácil, rápida e muito esclarecedores.
Antes de entrar nesse assunto, quero comentar sobre uma coisa que escrevi na minha última coluna. Nela aconselhei que vocês escutem aulas gravadas em seus momentos perdidos em trânsito, caminhando etc. Aí recebi uma chuva de emails pedindo aulas gravadas. Pessoal, eu escutava algumas quando era concurseiro e já rolaram quase 3 anos desde essa época, então além de muitas estarem desatualizadas, eu não poderia passá-las sem autorização dos professores, não poderia fazer isso. Assim como também volta e meia me pedem algum curso ou material. Caramba, não posso repassar essas coisas, seria pirataria e falta de consideração com o autor e colega, ok?
E reproduzo aqui o que escrevi lá na coluna: "E antes que me perguntem, não gostei do que ouvi desses cursos gravados que ficam à venda por aí. Aquelas vozes de aulas de cursos feitos só em áudio são soníferas, não prendem sua atenção, além de ser geralmente de um nível superficial e voltadas para qualquer área. O bom é ouvir aulas de um bom professor mesmo, voltado para sua área. Procure conseguir com amigos ou grave aulas de professores recomendados que deixam gravar suas aulas e escute-as fora do seu horário de estudo."
Resumindo, nunca vi na época em que estudava algo que prestasse desses cursos gravados em áudio que vendem por aí. Podem até ter melhorado desde então, mas não gostei do que ouvi até 2005. Claro que tem gente que gosta, mas eu não gostei. Bem, é o gosto de cada um. Eu recomendo aulas gravadas de bons professores e atualizadas, voltadas para sua área, como a fiscal, que conheço melhor. Se melhoraram essas aulas vendidas em pacote, aí não sei, e como não estudo mais (ainda bem), não saberia opinar.
Bem, feito esse esclarecimento, vamos ao tema principal desta coluna.
Há muita gente que ainda se encontra bem perdida neste mundo de concursos. É normal, todo mundo começa assim. Aos poucos vão tomando suas pauladas na cabeça e aprendendo como a coisa funciona. E para isso há várias pessoas que tentam elucidar um pouco mais as regras do jogo em colunas (como eu e o Deme), em salas de aula, em palestras etc. Quase todo mundo começa a estudar para concursos porque não está com uma vida legal e/ou foi motivada por algum colega ou parente que foi recentemente aprovado ou que está estudando há algum tempo e acredita neste sonho.
Assim começam cometendo vários erros e o mais comum deles é dar uma de metralhadora giratória, atirando para todos os lados. Aí um dia se inscreve em um concurso de ICMS, no outro, para o TRE, no seguinte, para o TCU e por aí vai, cada hora estudando disciplinas e exercícios de uma banca totalmente diferentes um do outro. Sabem qual o resultado isso? Quase sempre seguidas reprovações, o que leva ao desânimo ou desistência de muitos e persistência de poucos.
Pessoal, dependendo do concurso que você escolher, o troço é pedreira e das mais feias. Lembram de quando estudavam para o vestibular? Pois é, tinham os vestibulares para as faculdades particulares para alguns cursos fáceis, desses que sobram vagas, e havia medicina para a USP ou engenharia no ITA, por exemplo. E o que vocês pensavam: "caramba, se eu for pensar em fazer medicina na federal ou ITA eu terei que estudar muito e me preparar psicologicamente para de repente não passar no 1º ano" ou pensavam: "ah, tanto faz optar por curso de culinária chinesa aqui na faculdadezinha da esquina ou para o ITA, a dificuldade é a mesma, com poucos meses de estudo eu passarei". Bem, se vocês pensaram de acordo com a 1ª hipótese, vocês pensaram igual a 99% das pessoas. E se pensou na 2ª hipótese, das duas uma: ou é um gênio total, como conheço alguns, ou então é doido varrido, desses de tacar pedra na cruz.
Então vamos esquecer a 2ª hipótese, ok? Porque se você for um gênio, não precisa ler essas colunas e está só esperando sua aprovação, e se for doido varrido, bem aí está lendo esta minha coluna, porque se identifica com o autor também doido, mas só vai se ferrar na prova se estudar pouco eheheheh
Ora, se pensaram na 1ª opção, têm duas hipóteses agora: optar por concursos mais fáceis, mesmo que seja como um degrau para algum mais difícil no futuro, ou então encarar a fera, optar por um concurso muuito brabo, como os da área fiscal e de controle.
Por favor, continuem acompanhando meu raciocínio, mesmo que não concordem muito com ele. Se vocês sabiam quando estavam prestando vestibular que ITA ou medicina em uma federal é pauleira pura, por que agora querem se iludir achando que passarão em um concurso brabo estudando pouco por dia e só por alguns meses? Desculpem-me por trazê-los à realidade, mas nunca fui de pegar leve com vocês, eu pego pesado mesmo, porque prefiro que caiam na real de uma vez do que ficarem alimentando falsas esperanças aos seus parentes e amigos. Não preciso iludir ninguém, porque não sou dono de alguns cursos que ficam iludindo o pessoal, para obterem mais alunos. Eu estou aqui para ajudá-los e se tenho que ser direto e deixar alguns de vocês desanimados, não posso fazer nada. Não tenho o mínimo remorso em fazer isso, pelo contrário, ponho minha cabeça no travesseiro para dormir e durmo que é uma beleza. Ainda mais porque sei que no dia seguinte meu emprego e minha mesa de trabalho estarão lá me esperando e vocês não têm idéia do que isso nos reconforta e nos faz felizes por saber que tomamos a decisão correta quando resolvemos estudar e largar essa vida cruel na iniciativa privada, em que nunca podemos dormir completamente relaxados.
Pessoal, quem optar pela área fiscal, cargos jurídicos de nível superior ou CGU/TCU tem que estar preparado para encarar um dragão bem feioso.
Não é para desanimá-los, milhares de pessoas foram aprovadas nesses concursos mais brabos nos últimos anos, milhares mesmo, vários com cursos superiores fracos, com poucas condições financeiras e familiares para estudar, com filhos etc. Mas eles sabiam o que estava os esperando pela frente. Muitos começaram perdidos também, mas depois foram caindo na real e estudaram firmemente rumo aos seus sonhos.
Se alguns passaram mesmo mudando de área toda hora? Claro que sim, vários, mas foram minoria. A grande maioria se dedicou por algum tempo para uma área específica e estudou até ser aprovado, sendo reprovado em outros concursos antes. Eu sou estatístico, então penso sempre em moda e média. A moda e a média dos aprovados são compostas por candidatos que se dedicaram de 1 a 3 anos para uma área e enfiaram a cara nos estudos. E não se arrependeram da escolha que fizeram. Agora sabem quais a moda e a média dos candidatos reprovados? Gente que atira para todos os lados e estudaram poucos meses. E esses são mais de 90% dos inscritos em um concurso.
Aliás, sempre falam na tal relação candidato/vaga, que tanto abomino. Sabem qual minha idéia de relação candidato/vaga em qualquer concurso? 3 (três) candidatos/vaga. Sempre. Seja que concurso for. Eu sempre pensei assim e acho que morrerei pensando dessa forma. No dia do concurso há sempre umas 3 vezes mais candidatos preparados para passar do que o número de vagas. Há alguns que só por um aborto da natureza não passarão, de tanto que se prepararam, como um Deme da vida. Para minha felicidade esses são poucos, porque nunca estive nesse grupo. Sobram ainda muitas vagas tirando esses feras. E aí entrarão em jogo vários fatores, dentre eles um pouco de sorte. Para preencher o restante das vagas vai depender da saúde do candidato durante as últimas semanas para a prova, a sorte nos chutes (e todo mundo chuta, até o Deme), em cair mais aquilo que estudou e menos o que não estudou, o barulho na sala que fará a prova etc. Dependendo se esses fatores soprarem a seu favor ou não, você passará ou não. E se não passar, vai ajudar a compor aquele grupo de concurseiros cheios de desculpas que rondam os cursinhos alegando falta de sorte, pondo a culpa na banca ou nos professores, na sala em que fez a prova, no azar nos chutes e outros fatores mais.
E o quê fazer para não pertencer a esse grupo de reprovados que tinham condições de passar? Ora bolas, estudar mais, porque quanto mais vocês estudarem, menos dependerão desses fatores exógenos. O Deme estudou para o AFRF com uma obra no apartamento em cima do dele, porque seus vizinhos resolveram trocar o piso. E no dia da sua prova tinha uma espécie de micareta ao lado da sua escola, produzindo um barulho infernal. E foi o 1º colocado. Depois quando foi fazer a prova do ICMS-SP seu avô faleceu no dia da prova, ele teve que sair no meio da 1ª prova, a pior das 3 que enfrentamos naquele concurso, para ir ao enterro do seu avô querido. E por uma questão ficou em 2º. Aí vocês vão dizer: "mas o Deme é gênio". Eu acho que o conheço melhor do que vocês, então responderia tranqüilamente: "não, ele não é gênio, em hipótese alguma, é um pouco acima da média, mas é um cara que estudou e se preparou bem demais, de tal modo que mesmo acontecendo tudo de errado no dia da prova seria muito difícil deixar de ser aprovado em uma boa colocação".
Estude para estar no grupo dos quase aprovados, mas se não der, estude para estar na galera que estará realmente disputando uma vaga, nestes tais 3 candidatos/vaga, como eu estava e por isso fui aprovado em alguns concursos e reprovado em outros.
Depois dessa viajada minha em outros assuntos, voltemos agora ao assunto principal da coluna: mudar de área ou fazer só concursos na sua área?
Está rolando o concurso para o ICMS-Rio, o que nos dá um bom exemplo do que quero abordar. Antes de mais nada, um alerta: esse concurso será pedreira total, dessas que pouca dinamite não consegue explodir. É briga para cachorro grande, pitbull ou rotweiller, não pode ser um lhasa apso, como o meu cachorro, o Tyson. Então, meus amigos, se vocês já estiverem estudando há algum tempo para a área fiscal, podem pensar seriamente em prestar o referido certame. Mas o que acho engraçado é gente que está há pouco tempo estudando, não sabe nem as disciplinas básicas decentemente e já se inscreveu no concurso cheio de esperanças. Caraca, meus amigos, você fará um concurso semelhante a um ITA da vida e está pensando em passar agora? Desculpem-me, mas é muita ilusão. Podem até passar, tudo bem, mas estatisticamente sua chance de ser bem sucedido nessa vida de concurseiro seria deixar este concurso para lá e pensar em outros mais adiante. Aí vão dizer: "poxa, mas estarei estudando disciplinas que aparecem nos concursos da área fiscal". Tudo bem, até concordo com isso, mas se você pensa em se preparar para esse concurso você estudará um monte de coisas que serão difíceis de ser aproveitadas futuramente, como uma parte avançada de Informática, Administração, Comercial etc. Fora que a FGV é uma banca totalmente desconhecida no mundo fiscal, não serve muito para outros concursos. Será que compensa a desviada de rumo nos seus estudos em troca da chance de 0,01% de passar nesse concurso? Será que não seria mais racional continuar estudando para os próximos concursos?
E aqui vai uma ressalva: se seu sonho é ser fiscal do ICMS-Rio, então vá fundo, porque estão previstos concursos anuais. Logo, tudo que estudará agora será aproveitado ano que vem e nos outros. Aí tudo bem, encare o dragão e estude o máximo que puder.
E se você está com um conhecimento razoável em várias disciplinas desse concurso? Ora bolas, encare o bicho para valer. Meta as caras, acumule centenas de HBC. Mesmo que não passe, aproveitará muita coisa do que estudou. E com certeza estudará muito mais com uma prova pela frente do que se continuar estudando não tendo algum edital em vista.
Só que recebo vários emails de colegas que mal começaram a estudar dizendo que estão estudando para o ICMS-Rio cheios de esperança. Será que não seria mais indicado esses candidatos manterem seus estudos das disciplinas básicas e intermediárias visando algo mais provável a médio prazo? Sei lá, acredito que sim. Será que esses mesmos colegas resolveriam se inscrever para o vestibular do ITA faltando 3 meses para o mesmo sem terem muita base antes? Ué, se não teriam coragem de fazer isso nos seus tempos de vestibular, por que fazem o mesmo agora? Será que só eu que enxergo isso?
Ah, mas algum parente ou amigo falou para você fazer porque conhece alguém que passou antigamente em um bom concurso estudando pouco ou quase nada. Pessoal, como disse o Felipão, isso era nos tempos em que se amarrava cachorro com lingüiça. Isso acabou. Concurso difícil há anos é coisa para concurseiros profissionais, e não para amadores. Eu chamo de profissional o concurseiro que está estudando há meses por bons materiais, se possível fazendo bons cursos, é organizado e disciplinado em seus estudos e está disposto a estudar firmemente até ver seu no me no diário oficial. O resto é tudo amador, pode até passar, mas será muito mais difícil do que se fosse mais profissional.
E aqui outra ressalva: fazer concurso para treinar é ótimo. Se você já tiver alguma base, faça o ICMS-Rio, mesmo que não estude as disciplinas mais "incomuns" dele. Você fará um treino excelente. Como diria o saudoso Didi: "treino é treino, jogo é jogo". E só jogando se aprende como é fazer um concurso. Quantos candidatos estudam anos a fio e não fazem nenhum concurso, só esperando o concurso sonhado, chegam à prova abarrotados de conhecimentos, mas estranham aquilo tudo que cerca um dia de prova e acabam não passando? Não há nada melhor do que treinar em situação real de combate. Fazer simulados é muito bom também, mas nada como fazer uma prova real. E para quem é de fora do Rio, sair da prova e passear pelo Corcovado ou Pão-de-Açúcar, andar em uma praia no Rio tomando água de coco e comendo queijo tostado na latinha (desculpem-me o pessoal de fora do Rio, mas as praias do Rio são insuperáveis no quesito beleza das praias presentes nas grandes cidades), comer um cuscuz e uma pipoca doce do jeito que só se faz no Rio (e não esse cuscuz salgado e a horrorosa pipoca rosa de SP), andar no calçadão da Lagoa olhando para o Cristo Redentor etc. Fiquem tranqüilos, ninguém vai tomar nenhuma bala perdida, afinal, elas são "perdidas", não são "encontradas" ehehehhe
Vocês têm que viver o ambiente de um dia de prova antes de encararem os concursos dos seus sonhos. Enquanto isso não for possível, treine em simulados.
Então quando arriscar algum outro concurso que não o seu tão sonhado? Ora, quando já tiver uma base legal nas principais disciplinas e a decisão de prestar este outro concurso o desviará pouco dos seus estudos. E se abrir o edital do seu concurso sonhado durante o outro concurso ou logo após? Bem, aí foi um risco que você decidiu correr e a responsabilidade é toda sua. Vai que você fica esperando só um concurso e ele nunca abre? Ou então abre e você não passa e desperdiçou outras boas chances de ter passado em concursos anteriores? Sei que é difícil decidir e que quando abre algum edital legal ficamos tentados a nos inscrever, mas essa é uma decisão muito séria. Todos vocês são maiores de idade, então a escolha é de cada um. E não adianta me mandarem emails perguntando o quê fazer, porque essas decisões pessoais eu não respondo para ninguém, nem para amigos.
E se aparecer algum concurso parecido, tipo o da CGU, quando você está estudando para a área fiscal? Aí vai depender dos boatos do seu concurso dos sonhos. Vamos supor o normal na área fiscal, em que quase todo mundo estuda pensando na Receita Federal. Acabou de ter um concurso para a CGU. E não tínhamos edital para o AFRFB em vista. Ora, se você tinha uma base, era para ter feito o dito cujo. Dane-se que estudou algumas disciplinas que não cairão nos concursos fiscais, mas teria estudado as disciplinas em comum muito mais do que as teria estudado se não tivesse feito a CGU. Se passasse seria a glória, porque é um baita cargo. E se não passasse? Beleza, teria ganho a experiência de ter feito um concurso muito brabo e ainda faltariam meses até o edital da RFB.
E a imensa galera que prestou agora o TCU tendo estudado pouco antes do edital? Aí viajou total, porque aquilo é concurso muito porreta para passar, mais do que o AFRFB, e possui várias disciplinas que fogem muito da área fiscal. Perdeu seu tempo à toa. Aos futuros aprovados, meus parabéns, mandaram bem demais, tenho amigos aqui no ICMS-SP que prestaram esse concurso, porque o cargo é excelente.
E antes que me perguntem, eu não fiz nem farei esse concurso futuramente porque teria que morar em Bsb ou outro local mais longe e eu não saio do sudeste nem por muita grana. Não acho que compensa para quem já tem algum cargo legal ficar longe de sua família e amigos, isso é coisa para quem está na pindaíba, coisa que não estou mais, felizmente.
Aproveitando o gancho, sempre recebo emais perguntando se me aposentei da vida de concurseiro, se não vou fazer concursos jurídicos, TCU, AFRFB etc. Pessoal, com todo o respeito a quem gosta, eu ODEIO Direito, logo, não farei Direito nem concursos jurídicos, a não ser que aconteça alguma catástrofe no Executivo. Sou de Exatas e ponto final. Quanto ao AFRFB, mesmo com o aumento que sairá agora, não vale a pena para mim, porque irei para longe e para ganhar menos, logo, também está descartado. Quanto ao TCU, o motivo é igual ao do AFRFB. Ah, e se um dia piorar muito aqui no ICMS-SP? Bem, aí repensarei minha vida se isso acontecer e estarei disposto a qualquer das hipóteses anteriores. Quem sabe algum Auditor de TCE ou do TCU no futuro? Mas isso também é uma coisa que não penso no momento nem a médio prazo. Essa vida de concurseiro é muito ruim e tive a felicidade de ter sido aprovado nos concursos mais difíceis da área fiscal, como AFRFB, ICMS-SP e ICMS-MG. Quando eu passei para SP, sabia que era minha aposentadoria dessa vida sofrida. Ter que responder a dezenas de emails por dia para vocês, escrever minhas colunas e dar algumas aulas eu faço por prazer, mas estudar para concursos é um martírio total, não é um prazer. Compensa a fase dos estudos, e compensa muito, muito mesmo, mas desgasta demais. Deixo essa tarefa para vocês com muito prazer eheheheh
Resumindo tudo, pensem bem antes de encararem algum concurso. Não é para terem medo, mas é para pesarem na balança se compensa ou não desviar dos seus estudos para prestar algum concurso com poucas chances de passar. Mas, por outro lado, cuidado para não se prenderem a um concurso só por muito tempo, depois ele não vir ou você não passar e nesse tempo estudando deixou passar outros concursos legais. Preocupe-se em atingir um bom nível nas principais disciplinas de sua área e outras correlatas, para aí sim você começar a olhar para os lados de vez em quando, analisando muito bem cada edital que sair e decidindo se vai encarar a pedreira ou não.
Vocês resolverão suas vidas para sempre, não podem pensar em conseguir a glória em tão pouco tempo.
Palestra em Brasília (via satélite) e no Rio e Viagens de Férias
Tivemos que adiar a palestrona de Brasília no último dia 10 porque era dia dos pais e eu não sabia disso. Além dos inúmeros colegas que não poderiam comparecer devido à importância da data, eu não deixaria de passar esse dia com meu coroa de 75 anos nem a pau. Estou tentando remarcá-la para o dia 31 de agosto, domingo. Será com o Wallace (Wallysou do Fórum Concurseiros). O Deme não estará nessa. Terá que ser em algum domingo porque o Wallace estará no curso de formação da CGU em todos os sábados. Aqui no site haverá alguma chamada caso ela role mesmo. Terá transmissão pela rede LFG/Curso para Concursos aberta a todos.
Já a minha primeira palestrona no Rio está confirmadíssima. Será no domingo dia 24 de agosto, no Curso Gabarito. Será com o Deme. Maiores informações no site abaixo:
Sugiro que façam logo suas inscrições, porque poderão ficar de fora. Afinal, tem muito doido neste mundo de concurseiros querendo ouvir nós dois eheheheh
Como desfrutarei de mais 15 dias de férias em setembro e o Deme depois disso, acredito que até o fim do ano não faremos outras palestronas. Talvez uma em SP, no Curso Uniequipe, no final de outubro.
Já tirei metade das minhas férias em maio, quando fui pela primeira vez à Europa (Madri, Barcelona, Berlin, Praga, Budapeste e Cracóvia-Polônia), com mais 3 amigos meus fiscais daqui, e o Deme tirou agora em julho, quando foi mergulhar em Cuba. Eita vidinha difícil essa de ter emprego estável e com bom salário...será que valeu a pena termos estudado tanto buscando esse sonho?
Teve um dia que fiquei às margens do rio Danúbio, olhando para o maravilhoso castelo de Budapeste, sozinho em um barco restaurante ancorado, tomando algumas cervejas. Fiquei umas duas horas admirando a paisagem. Comecei a pensar no que tinha estudado para estar ali e por tudo que passei. Não foram só os meses que estudei para passar nesse meu concurso, pensei em tudo que estudei antes, nos vestibulares e concursos anteriores, nas duas graduações, na pós, no mestrado etc. Eu tive uma sensação tão grande de dever cumprido, de ter conseguido vencer nessa vida tão difícil, que chorão do jeito que sou, só sentia as lágrimas escorrendo pela minha face. Não parava de pensar que eu fiz por merecer estar ali e que conquistei isso graças ao meu estudo, à força dos meus familiares e amigos e a essa maravilha chamada concurso público. Agora mesmo estou relembrando aquele momento e meus olhos estão cheios d´água. São momentos inesquecíveis, desses que não esqueceremos nunca mais.
Toda hora que eu e meus 3 amigos conhecíamos ou vivíamos algo muito legal na Europa eu os lembrava que merecíamos estar ali. Sabem quando teríamos tido a oportunidade de viajar desse jeito se não fosse pelo nosso esforço estudando? Acredito que nunca. Um deles estudou mais de um ano, fez 230 pontos no AFRF em 2005, 10 a mais do que eu, mas não passou por uma questão em uma disciplina. O outro foi sargento por 18 anos e estudou por 3 anos antes de passar para cá.
E já planejo minhas viagens para o ano que vem, pensando qual país visitar. E tenho certeza que irei, porque sei que ainda estarei bem empregado até lá e terei direito a desfrutar dos meus 30 dias de férias tranqüilamente, que sempre parcelo em dois de 15. Meu chefe não me proibirá de tirar férias e não terei que viajar temendo pelo meu emprego na volta. Vida de funcionário público é assim, é ter certeza do que o que planejou para os seus próximos anos será cumprido, se assim você quiser. Se eu quiser ir ano que vem conhecer à Rússia, irei. Se mudar de idéia e resolver conhecer a Cochinchina lá no Vietnã, irei também. Qual o problema? Meu salário estará garantido e ainda ganharei mais 1/3 para gastar lá fora. Será que isso tem preço? Será que valeu a pena ter tomado tanto remédio para as dores nas costas e ter ouvido tanta gente me chamar de doido, porque isso de passar em concurso é para os "peixes" e para os gênios, coisas que nunca fui? Deixo para vocês pensarem na resposta. Enquanto isso meu colega aqui acabou de voltar do Egito e de Paris com a namorada dele, pagando a viagem para os dois, minha colega vai amanhã passar 15 dias no Peru, meu outro amigo voltou do Alasca e do Havaí etc. Isso só falando das viagens, sem mencionar os carros novos, os apartamentos comprados, os terrenos em condomínio para construírem suas casas dos sonhos, a ajuda financeira aos parentes etc.
Sei que muitos me acham idiota e metido por escrever essas coisas, como se fosse para "tirar onda" com a cara de vocês. Pessoal, não faço com essa péssima intenção, seria muita estupidez de minha parte, não preciso tirar onda imbecil aos 38 anos de idade, eu escrevo isso para que estimule vocês a estudarem mais.
Estudem, pessoal, compensa demais. Se vocês tivessem idéia da felicidade que é ser aprovado em um bom concurso e ficar bem empregado para o resto da vida, garanto que estudariam muito mais do que estudam hoje. Não me esqueço de um dia em que um amigo meu fiscal daqui me disse: "Meirelles, se eu soubesse o quanto minha vida mudaria para melhor depois que eu passasse, teria estudado muito mais, para ter menos risco de não passar".
Coloquem fotos de lugares que pretendem conhecer um dia em cima de suas mesas de estudo, de uma casa e um carro viáveis de um dia você ter com seu salário ganho honestamente, da sua família feliz em alguma reunião familiar. Busque também nisso sua motivação. Vocês vão poder realizar esses sonhos em breve, é só se manterem estudando firmemente.
Era isso o que tinha para escrever por enquanto. Fiquei um mês sem escrever, mas também aluguei vocês com 6 páginas dessa vez. Espero que tenha ajudado em algo.
Esta coluna é nossa, não é minha, então continuem mandando sugestões de assuntos para ela. No que eu puder ajudar, assim o farei.
Abraços a todos e boas HBC
Alexandre Meirelles
Rede LFG / Curso para Concursos