Como Fazer Provas
Junho de 2008
Caros concurseiros sofredores,
Gostaria de nesta coluna dar algumas dicas sobre como "fazer provas".
Muita gente me escreve pedindo dicas de como se portar no dia D, no dia da prova. E eu e o Deme temos algumas idéias sobre o assunto, então vamos a elas, que, claro, vocês seguem se quiserem e, por favor, se não derem certo, não nos coloquem a culpa, afinal, quem mandou seguir dicas de dois doidos? eheheheh
Eu sempre li e continuo lendo professores experientes, com várias aprovações nas costas, dizendo aos alunos: "comecem por português, porque os textos requerem atenção"; ou então: "comecem pelas de Exatas e/ou Contabilidade, porque os cálculos requerem atenção também"; e tem mais essa: "comecem pelo que mais sabem, para aumentarem a confiança". E finalizam suas falas assim: "façam estas disciplinas até o final e depois parta para a outra". Eles acreditam nisso porque foi assim que fizeram quando passaram em seus concursos, mas não acreditamos que seja o correto.
Com todo respeito às opiniões contrárias, mas eu discordo em parte dos colegas. Era para agir assim em outra época, quando os concursos fiscais davam tempo para resolver quase tudo. Hoje, principalmente desde a prova do AFRF de 2005, os tempos são outros. As provas são feitas para não serem resolvidas, não dá tempo mesmo, para ninguém. E se você for fazer toda a prova de Português ou de Contabilidade para partir para a próxima disciplina, acabou seu tempo. Se dará bem naquelas disciplinas e será eliminado por causa do resto. Então, o quê sugerimos?
Vamos dividir os concursos em dois tipos: os que possuem nota mínima por disciplina, como o AFRF ou o ICMS-Rio, e os que só têm mínimo por prova, como o ICMS-SP e outros tantos mais.
1) Concursos com mínimo por disciplina
Comece pela disciplina que achar mais conveniente, seguindo as sugestões dos professores acima mencionados, e aí pode ser Português, Contabilidade, Matemática etc., fica a gosto do freguês. Mas agora virá a diferença para eles: você não pode pensar em resolver tudo dela, tente fazer o tanto que achar que deu para garantir o mínimo, pulando as questões mais demoradas, e parta para a próxima disciplina. Entenderam a diferença do que sugerimos para o que os outros aconselham? A sugestão deles é para ser levada em parte, só até "garantirem" o mínimo, aí "suspenda" esta disciplina e parta para outra. Não a faça até o final logo de cara, porque você se ferrará em outra(s).
Pense no AFRF, em que você tem que fazer 40% em cada disciplina. Vejamos a prova de Português ou de Contabilidade, com 20 questões cada, logo você terá que acertar pelo menos 8 em cada. Pule as maiores questões, que na prova de Português são as que têm que ler o texto todo, por exemplo. Faça umas 10 com razoável certeza e pule para a próxima disciplina e faça o mesmo. Quando acabar de garantir os mínimos em cada disciplina, volte para fazer as questões que você acha que conseguirá fazer em menos tempo e/ou as da disciplina em que achar que tem mais risco de ser eliminado. Pode ser as disciplinas que têm peso maior que as outras, quando isso ocorrer na mesma prova.
Assim você aumenta suas chances de não ser eliminado, o que já é o problema de mais de 90% dos candidatos, alguns até bem preparados, mas que por não saberem administrar o tempo de prova, acabam eliminados bobamente. Conheço muita gente assim.
Nestes concursos você tem que ir preparado para fazer os mínimos em todas, e com alguma sobra. Não pode achar que porque está fazendo 50 ou 60% nos exercícios em casa que você vai garantir pelo menos 40%, porque não vai. As bancas estão sempre piorando o nível da prova, em casa você tem tempo de sobra e zero stress, e na prova não, você tem pouco tempo e stress lá em cima, conseqüentemente sua taxa de acertos cairá. Tem que manter uma meta em casa de acertar pelo menos uns 60 a 70% nas provas anteriores, claro que fazendo questões de concursos do mesmo nível.
E aí, isso basta para ser aprovado? Claro que não, pois não basta fazer os mínimos quase sempre. No AFRF não adianta, você tem que fazer pelo menos uns 70%, já no último ICMS-Rio sobraram vagas, então era "só" fazer os mínimos naquela prova absurda. E esta prova do Rio e a minha do ICMS-SP em 2006 foram as provas em que mais constatei ser importante esta coisa de saber administrar o tempo de prova. Mais até do que no último AFRF, em que também foi relevante.
Resumindo, preocupe-se primeiro em fazer os mínimos e depois em acumular pontos.
2) Concursos com mínimo por prova, mas sem mínimo por disciplina
Nesses você tem que se preocupar em pontuar o máximo possível, não interessa em qual disciplina, o que interessa é o total de pontos na prova.
No concurso que fiz para o ICMS-SP foi assim. Eu me dei ao "luxo" de não tocar em algumas disciplinas, como Direito Civil e Comercial. Acertei só uma das 12 questões dessas, que foi de Civil, porque zerei as 6 de Comercial. E daí? Fiz muito mais pontos nas outras disciplinas. Para quê eu ia levar tantas horas de estudo de duas disciplinas que valiam tão pouco e com programas imensos, com tantas outras coisas para estudar das que valiam mais, se eu poderia "zerar" as duas belezinhas? Isso é uma coisa que você não pode fazer no outro tipo de concurso, com mínimo por disciplina, conforme vimos anteriormente.
Em um concurso sem mínimo por disciplina você tem que pular todas as questões que levam muito tempo e ir fazendo as rápidas e médias, não interessa de qual disciplina. O ponto de uma questão fácil é igual ao de uma difícil e/ou demorada. E quanta gente desperdiça pontos de questões fáceis e médias porque não tiveram tempo para nem ler seus enunciados, pois perderam tempo com questões demoradas?
O Deme tem um método que ele chama de "passear pela prova", que também funciona no outro tipo de concurso, mas neste tipo é melhor ainda. Como é isso? Vamos lá. Você pega a prova e se dá inicialmente um tempo pequeno para resolver cada questão, digamos que 30 segundos, dependendo claro da quantidade de questões da prova e do tempo para resolvê-la. Os 30 segundos são um exemplo, é só para passar a idéia que tem que ser um tempo curto. E faça tudo que puder neste tempo, passando pela prova toda. Marque as questões que já tiver certeza, elimine as alternativas que não podem ser o gabarito, adiante os cálculos etc. Com isso você vai garantir os pontos das questões fáceis e rápidas. Depois volte e se dê um tempo maior, digamos um minuto e meio. E faça a mesma coisa, pule o que for grande e faça tudo que puder. Só que aí as questões você já estará vendo pela 2ª vez, já terá lido o enunciado, já terá cortado algumas alternativas e outras coisas mais. Assim você garantirá as questões de nível médio. Ficarão faltando as difíceis e/ou grandes e as que não são para serem feitas mesmo. Sim, há questões que o examinador coloca lá só para fazer o candidato perder seu tempo, garantir até às vezes o pontinho dela, mas perderá outros tantos pontos que poderia ter feito em outras questões, pois não terá tempo de olhar porque foi burro perdendo seu precioso tempo naquela maldita.
E vá dando estas passeadas na prova. A cada passada sobrarão menos questões, óbvio. E aí vão me perguntar: "quantas passeadas você acha que devo dar?"; e eu responderei: "sei lá, depende do concurso e de você, não tenho nem idéia, porque cada concurso tem um tempo de realização de prova e nível e número de questões diferentes do outro".
E aqui um alerta: nunca pense em fazer isso direto em algum concurso, você tem que treinar antes em algum certame menos importante ou em simulados, mesmo que em casa. Você tem que ter a confiança de que isso dá certo, porque se tentar fazer isso sem treino em uma prova, vai se desesperar quando acabar de dar a 1ª passada e ver que respondeu, sei lá, só uns 20% das questões. Nossa orelha vai queimar durante sua prova de tanto que você vai nos xingar. O Deme terá que ficar escondido no fundo do rio Tietê até que todos os concurseiros querendo espancá-lo esqueçam o menino fenômeno.
Ora, e se eu não tiver simulados em minha cidade para treinar isso? Calma, você receberá uma ótima notícia para resolver isso em breve, aguardem as cenas dos próximos capítulos...tem notícia muito boa vindo aí...
E leve sempre um relógio para a prova. Recentemente teve um concurso para o ICMS-MT e nele não deixaram usar relógio, celular etc., nem ao menos entrar na escola com eles, a galera teve que esconder seus pertences na rua, em volta da escola, nos arbustos, enfim, uma loucura, isso com vários pedestres e taxistas vendo tudo. Então, na dúvida, deixe o celular no carro ou em casa. Mas o relógio não. Compre um vagabundo de camelô ou coisa parecida e vá com ele. Assim, se tiver que jogar fora, que se dane. Só o use uns 2 dias antes para ter certeza que funciona eheheheh. Mas isso não deve acontecer de novo tão cedo, era uma banca desconhecida e que exagerou, não acredito que uma ESAF da vida chegue ao ponto de proibir relógio, mas saiba que em outros concursos já proibiram relógios digitais, só permitindo os analógicos. Mas nem pense em deixar de levar um relógio, seja qual for.
a) Preciso registrar uma errata no meu texto anterior. Quando indiquei professores de Português, escrevi Márcia como o nome de uma professora em SP, mas não é Márcia, é Fátima o nome dela. Foi mal, estou com quase 38, a idade pesa eheheheh
b) Pessoal, faço aqui um pedido, que espero que não seja mal interpretado: por favor, não me peçam opiniões sobre suas vidas pessoais. Todo dia recebo vários desses emails. Eu nunca vou responder a coisas assim. Quem sou eu para, sem conhecer vocês, dizer se devem se separar, largar o emprego, não assumir algum cargo etc. Dúvidas na vida todos nós temos, já tive muitas e até hoje tenho as minhas. Peçam ajuda a quem os conhece, e não a um estranho que não sabem nada da vida de vocês, como eu. Então não adianta insistirem, não respondo nunca a este tipo de email. No que quiserem ajuda para dicas de estudos, no que eu souber responder, eu prometo que respondo, e rapidamente. Para isso contem comigo sempre.
c) Daqui a duas semanas colocarei mais uma coluna no ar. Mandem emails com sugestões de assuntos. Estou aqui para ajudar vocês, no que puder e souber. Estou com a cabeça fresquinha, acabei de tirar 3 semanas de férias, desligado do mundo. Afinal, estudei para viajar também, ou não? Mas não pensem que esqueci da minha vida de concurseiro, pois eu passei um dia inteirinho dentro do campo de concentração de Auschwitz, no sul da Polônia. Foi um dia bem deprê, muito pesado mesmo, mas que nunca esquecerei, foi um grande aprendizado, tornou-se um dos dias mais inesquecíveis da minha vida. De vez em quando faz bem tomarmos uns socos no estômago para reclamarmos menos da vida. Mas os outros 20 dias foram bem mais "lights". No dia em que eu tiver uma página minha colocarei as fotos.
Este texto é dedicado principalmente a duas concurseiras que precisavam ler sobre este assunto: Sylvia e Valéria. A primeira para deixar de ser cabeça dura e de vez em quando seguir os conselhos de dois grandes amigos seus, eu e o Deme. Menina dura na queda, saiba que nós dois somos seus maiores fãs e torcedores, não desista, você está perto do sucesso, uma vaga em breve será sua, beberemos muito para comemorar e faço questão de pagar (mas cobrarei a conta no seu 1º salário eheheheh). Até lá conte com a gente para tudo que precisar. E a outra menina homenageada, a Valéria, é por ter me sugerido o tema por email, diretamente de Dourados-MS. Espero que as duas e muitos outros leitores aproveitem algo do que escrevi.
Abraços a todos e boas HBC
Alexandre Meirelles
alexmeirelles@gmail.com
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