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M08 - Roteiro de Estudos para a Área Fiscal - Parte 1
15/05/08 · Alexandre Meirelles
Roteiro de Estudos para a Área Fiscal  -  Parte 1

maio de 2008

Caros concurseiros sofredores,

Nestas minhas duas primeiras colunas inéditas aqui no CPC gostaria de responder de uma vez só a dezenas de candidatos que me enviaram emails perguntando sobre como organizar o estudo das disciplinas, por quais delas começar, quais dar mais ênfase etc.

Então vamos às minhas opiniões/sugestões. Como sempre, siga se as achar interessantes e sinta-se à vontade para fazer mais perguntas por email. Não sou o dono da verdade, muito longe disso, então adaptem minhas sugestões ao seu “feeling” também.

Não dará para escrever tudo em uma coluna só, então vou dividir em duas. Daqui a 15 dias sairá a segunda parte.

O estudo de cada uma separadamente, quais livros utilizar e outras orientações mais serão dados pelo Deme. Nós combinamos assim: ele ficará responsável por destrinchar cada disciplina da área fiscal com mais profundidade, como já fez há um ano com Direito Constitucional, quando escrevíamos no site do Ponto dos Concursos, e eu darei as orientações mais gerais, assim a gente não repete muito os assuntos. E cada um de nós é melhor em cada um destes temas, assim fica bom para ambos e para você.

Deixo bem claro que praticamente não fiz cursos, os professores indicados por mim são devidos aos constantes elogios que ouço dos seus alunos. Existem outros tantos excelentes professores, que porventura eu possa ter esquecido. Vários desses que indicarei não conheço, mas sei dos elogios que recebem.


Estas dicas terão que ser muito alteradas se você tiver em mente o concurso do Fiscal do Trabalho. Não tenho muita idéia sobre este concurso. São dicas mais para a área fiscal tradicional, chamada de Auditoria. Abrange a Receita Federal do Brasil e Fiscais de ICMS e ISS. Este texto é baseado no principal concurso que existe nessa área, o de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB). Para os outros, mereceria muitas adaptações/alterações.


Na área fiscal eu e o Deme dividimos as disciplinas em 3 grupos distintos, a saber:

a)    disciplinas básicas;

b)    disciplinas secundárias ou intermediárias;

c)    disciplinas específicas.

Essa nossa classificação não tem nada a ver com a classificação feita pela ESAF, que divide em Conhecimentos Gerais, Específicos e Especializados.


Para podermos prosseguir, eis o quadro das disciplinas do último AFRF, realizado em 2005:

 


Cada grupo tem suas peculiaridades, que descreverei a seguir.

a) Disciplinas Básicas


São elas: Contabilidade Geral, Direitos Tributário, Constitucional e Administrativo e Português.


Características:


1)    aparecem em todos os concursos fiscais e quase sempre valem muitos pontos, pelo menos quando bancas decentes e inteligentes são responsáveis pela prova;

2)    são imensas e muito conceituais, ou seja, são menos decorebas em média que as outras. As pessoas demoram muito mais tempo para aprendê-las do que para assimilar as demais. Eu chutaria umas 100 a 200h de horas líquidas de estudo em média para cada uma. E em contabilidade isso ainda pode ser pouco. Claro que isso em média, porque os candidatos variam muito de acordo com a formação que possuem, facilidade para memorização e aprendizado etc.;

3)    para algumas um livro só não basta, tem que usar mais do que um. Sempre tendo um livro como base, os outros são para apoio e exercícios;

4)    a chance da banca cobrar estas disciplinas com profundidade é maior do que nas outras, logo, não tem jeito, tem que estudá-las muito bem;

5)    por mais que a prova venha difícil, os aprovados sairão bem nelas. Vai haver milhares de candidatos sabendo muito delas no dia da prova, e você não pode deixar de ser mais um;

6)    tem que ter como meta acertar uns 80% de cada uma. Como você saberá isso? Ora bolas, fazendo as provas anteriores até chegar a este índice de acertos. Sempre tendo como base o nível das provas da ESAF, a principal e com certeza a melhor banca na área;

7)    deverão ser estudadas com muita antecedência, sem qualquer previsão de edital. Depois do edital você só vai dar uma aparada nas arestas, aprender algum assunto novo que tenha aparecido no programa, fazer questões, ler seus resumos, dar uma decorada na legislação etc.;

8)    são as disciplinas que definem sua classificação, ou seja, é nelas que você terá que acumular muitos pontos para ser aprovado. Nas outras disciplinas você vai se preocupar mais em não ser eliminado e em acumular mais alguns pontinhos;

9)    só com estas 5 disciplinas você gastará uns 60% do seu tempo total de estudo. De todo o tempo que o Deme estudou e eu também, e anotamos tudo direitinho desde o primeiro dia de estudos, deu exatamente isso, 60% do tempo total gasto por cada um. Eu em quase 6 meses, ele em quase 3 anos, com seus resultados muito superiores aos meus, óbvio, mas a proporção foi a mesma para nós dois, 60%;

10)    se você fizer as contas, verá que exatamente 60% do total de pontos do último concurso de AFRF, em 2005, correspondeu a estas 5 disciplinas, 180 em 300 possíveis. As outras 9 disciplinas corresponderam a 40%, os outros 120 pontos.


Então que conclusões tiramos disso tudo? Ora bolas, que estas disciplinas você deve se preocupar em estudar muito no início. Estudar bastante até chegar a um bom índice de acertos em provas, pelo menos uns 70%. O Deme e eu ficamos um bom tempo só estudando estas 5 disciplinas, sem olhar o resto.


Agora, se você faz algum curso que dê todas as disciplinas de uma vez, qual nossa sugestão? Nós diríamos para você de forma alguma perder o andamento das aulas das outras disciplinas, estude pelo menos um pouco para acompanhar as aulas. Preste atenção, anote os detalhes, faça alguns resumos e exercícios, enfim, o suficiente para acompanhar razoavelmente as aulas. Mas na hora de estudar em casa, preocupe-se em estabelecer um número de horas de estudo muito maior para estas 5 do que para as outras.


Se você não tiver uma boa base em exatas, aconselhamos que você inclua pelo menos uma das duas de exatas, Matemática Financeira ou Estatística, no meio destas 5. Escolha uma à vontade, o que importa aqui é exercitar seu lado esquerdo do cérebro, desenvolver mais rapidamente seu raciocínio lógico, a velocidade em fazer contas e relembrar a matemática básica esquecida lá atrás (frações, potências, raízes, divisão “com vírgula” etc). Assim, teria de cara 6 disciplinas para encarar firme por alguns meses, as 5 básicas mais a de exatas por você escolhida.


Contabilidade Geral é o grande calo da maioria dos concurseiros. Não adianta um candidato pensar que fará um cursinho ou estudará por algum livro que seu problema estará resolvido. Não, você só vai começar a ter idéia do buraco em que está se metendo. Muita gente desiste da vida de concurseiro quando se dá conta disso.

Quem dá aula de Contabilidade Geral só toma pedrada. O pessoal acha que em um curso de 40 ou 60h o cara vai fazer milagre. Não dá, é impossível. Claro que uma aula com um bom professor é ótimo para esclarecer as coisas, mas não dispensa você de muitas horas de estudo em casa, com certeza mais de 200h líquidas só para esta disciplina. E não adianta reclamar, quase todo aprovado passou por isso. Se alguém disse para você que passar para fiscal é mole, mentiu descaradamente ou então não tem a mínima noção do que falou.

Se você puder fazer depois alguma turma só de exercícios ou de assuntos mais avançados, seria excelente também.

Você tem que estudar o material teórico, cair matando nos exercícios resolvidos e depois tentar fazer tudo sozinho. Você vai ralar mais do que bunda de cobra para chegar a um nível legal. Mas quer um consolo? Todo mundo que insistiu, conseguiu. Você não vai ser diferente de ninguém.

De professores recomendo Antônio César (RJ), Sérgio Adriano (SP), Silvio Sande (Salvador), João Imbassahy e Biu (Recife).


Português sempre foi a disciplina que mais eliminou no AFRFB, acho que com exceção do último concurso, que foi Informática. De professores recomendo Cláudia Kozlowski, Décio Sena, Marcelo Rosenthal, Márcia (SP) e outros tantos.


Em Direito Tributário temos excelentes professores: Ricardo Alexandre e Alexandre Lugon são dois grandes nomes.


Em Direito Constitucional temos Cristina Luna, Vicente Paulo e Sérgio Valladão.


Em Direito Administrativo temos Gustavo Barchet, Cláudio José (RJ) e Cyonil (SP).


Como escrevi lá em cima, claro que dei só alguns nomes de professores, existem outros tantos excelentes por aí.


E agora muitos candidatos desesperados vão ficar me indagando: “caramba, e as outras 9 disciplinas?” e eu responderei: “calma, rapaz, as outras 9 em média são menores, mais decorebas e com mais chances de você esquecer muito se estudar com bastante antecedência. Segure um pouco sua ansiedade, você vai estudar as outras 9 em menos tempo do que estas 5 básicas, eu garanto.”


Terminaremos o assunto daqui a 15 dias.


    Abraços a todos e boas HBC

 

Alexandre Meirelles
alexmeirelles@gmail.com


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